Uma nova etapa da construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica avançou na Bahia após a autorização para utilização de uma área federal de 1.416.231,24 metros quadrados, equivalente a aproximadamente 196 campos de futebol. O espaço será destinado às obras do sistema rodoviário associado ao empreendimento, considerado um dos maiores projetos de infraestrutura em execução no país.
A autorização foi concedida pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e abrange áreas em Salvador, Vera Cruz e na Baía de Todos os Santos. Publicada no Diário Oficial do Estado, a medida terá validade de cinco anos e permitirá a implantação de novas estruturas necessárias para o avanço das obras.
O projeto completo prevê cerca de 30 quilômetros de sistema rodoviário e investimento estimado em aproximadamente R$ 12 bilhões. A ponte, por sua vez, terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos e tem previsão de entrega para junho de 2031.
Entre as estruturas autorizadas está o Canteiro de Obras 02, que será implantado pela Concessionária Sistema Rodoviário Ponte Salvador Ilha de Itaparica S/A. O local deverá concentrar atividades industriais fundamentais para a construção da infraestrutura.
O espaço contará com uma usina de concreto e estruturas destinadas à produção de elementos pré-moldados. Conforme a autorização, a unidade terá capacidade para produzir até 95 toneladas de concreto por dia, ampliando a estrutura de apoio às diferentes frentes de trabalho.
A implantação também envolve intervenção ambiental. O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) autorizou a supressão de vegetação nativa em uma área de 2,0885 hectares. Desse total, 1,7746 hectare apresenta rendimento lenhoso, estimado em 16,14 metros cúbicos.
A retirada da vegetação, entretanto, não poderá ocorrer imediatamente. A concessionária deverá comunicar previamente ao Inema o cronograma das atividades, com antecedência mínima de 45 dias. O material resultante da supressão também precisará receber destinação de acordo com as normas ambientais.
Projeto já conta com outras frentes de trabalho
O novo canteiro se soma às estruturas que já foram instaladas para dar suporte à construção da ponte. Em Vera Cruz, na região da praia de Jaburu, funciona o Canteiro de Obras 01, utilizado como base logística e operacional na Ilha de Itaparica.
Outras estruturas foram planejadas fora do município. Em Salvador, um canteiro localizado na região do Jequitaia, no antigo prédio da Petrobras, dará apoio à construção da cabeceira da ponte e aos acessos viários da capital.
Já em São Roque do Paraguaçu, distrito de Maragogipe, está previsto o maior complexo industrial do empreendimento. Com aproximadamente 400 mil metros quadrados, o local é destinado à fabricação e montagem de estruturas metálicas e tubos de aço que serão utilizados na obra.
A multiplicação das frentes de trabalho acompanha a complexidade do projeto, que envolve estruturas terrestres e marítimas e exige uma cadeia de produção própria para componentes utilizados na construção da ponte.
Ponte terá impacto além da ligação entre Salvador e Itaparica
Além de reduzir a dependência das atuais conexões entre a capital baiana e a Ilha de Itaparica, a obra é apresentada como um projeto com potencial para alterar a dinâmica econômica de diferentes áreas da Bahia.
A nova ligação poderá facilitar o deslocamento de pessoas, estimular atividades turísticas e favorecer a instalação de empreendimentos imobiliários e comerciais no Recôncavo e nas regiões litorâneas.
Outro efeito esperado está relacionado à logística. A infraestrutura deverá facilitar o transporte de produtos agrícolas e industriais e melhorar a conexão dessas áreas com o porto de Salvador, aumentando a eficiência do escoamento de mercadorias.
As estimativas apresentadas para o projeto apontam ainda para a geração de aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos, além de impactos sobre turismo, valorização imobiliária e atividades comerciais.
Obra bilionária tem conclusão prevista para 2031
A Ponte Salvador–Ilha de Itaparica integra um sistema rodoviário que terá aproximadamente 30 quilômetros, enquanto o trecho construído sobre a Baía de Todos-os-Santos terá 12,4 quilômetros.
O investimento total estimado é de R$ 11,6 bilhões, valor que se aproxima dos R$ 12 bilhões considerados para todo o empreendimento. A execução reúne participação de consórcios internacionais e dos governos local e federal.
O cronograma prevê uma sequência de etapas que inclui sondagens, instalação de plataformas e construção dos pilares que sustentarão a estrutura sobre o mar. A previsão oficial é que a ponte seja concluída em junho de 2031.











