A relação rompida entre os príncipes William e Harry continua sendo um dos capítulos mais delicados da família real britânica. Para Charles Spencer, irmão da princesa Diana, porém, não existe espaço para escolher um dos lados. Em entrevista à BBC, o conde afirmou que permanece próximo dos dois filhos de sua irmã e rejeitou a percepção de que teria se aproximado mais de Harry nos últimos anos.
A declaração foi dada durante a divulgação de Swan Song: Diana, My Sister, livro lançado nesta terça-feira (22) pelo conde Spencer. A obra reúne lembranças pessoais sobre Diana e recupera episódios relacionados à trajetória da princesa, ao casamento com o então príncipe Charles e aos acontecimentos posteriores à sua morte, em 1997.
Ao ser questionado sobre a impressão de que estaria “do lado de Harry”, Spencer foi direto ao explicar sua posição. “Penso que existe uma percepção nos meios de comunicação de que estou do lado do Harry. Bem, estou do lado dos filhos da minha falecida irmã, de ambos”, afirmou.
William e Harry passaram de irmãos que apareciam juntos em compromissos oficiais a protagonistas de uma relação marcada pelo distanciamento. As diferenças entre os dois se tornaram públicas sobretudo após Harry e Meghan deixarem de exercer funções como integrantes seniores da família real e se mudarem para os Estados Unidos.
Desde então, declarações públicas, entrevistas e relatos biográficos ampliaram a dimensão do conflito. Apesar disso, Charles Spencer evita assumir uma posição favorável a qualquer um dos sobrinhos.
A postura também se relaciona à maneira como o conde enxerga o legado de Diana. Para ele, os dois príncipes continuam ligados à memória da mãe, independentemente das divergências que possam existir entre eles.
Novo livro recupera bastidores da vida de Diana
A publicação de Swan Song: Diana, My Sister ocorre às vésperas dos 30 anos da morte da princesa, que serão completados em 2027. Spencer explicou que decidiu contar sua própria versão depois de receber sucessivos convites para participar de livros e documentários sobre a irmã.
“Com o 30º aniversário de sua morte chegando no próximo ano, eu estava recebendo muitos pedidos para participar do livro ou documentário de outra pessoa”, afirmou. Segundo ele, foi então que surgiu a ideia de apresentar diretamente suas próprias lembranças.
O livro também reabre episódios controversos envolvendo o relacionamento de Diana com o então príncipe Charles. Entre os relatos mais fortes está uma conversa que Spencer afirma ter tido com o atual rei pouco depois da morte da princesa.
Segundo o conde, Charles teria dito que Diana seria esquecida rapidamente. Spencer afirma ter ficado chocado com a declaração e ainda descreve o tom utilizado pelo ex-cunhado como particularmente perturbador.

Spencer defende a imagem da irmã
Quase três décadas após a morte de Diana em um acidente de carro em Paris, Charles Spencer sustenta que parte das críticas feitas à princesa ao longo de sua vida pública não levou em consideração sua personalidade e sua influência.
Na avaliação dele, Diana representava uma ruptura com o comportamento tradicional esperado de integrantes da monarquia. Sua enorme popularidade diante do público, inclusive, teria provocado desconforto dentro do establishment britânico.
Spencer afirma que a irmã costumava se referir a integrantes ligados à estrutura da família real como os “homens de ternos cinzentos”, expressão que, segundo ele, representava pessoas que tentavam controlar ou limitar sua atuação pública.
O conde também relembrou a primeira grande viagem internacional de Diana como integrante da família real, à Austrália. De acordo com seu relato, ela percebeu que, em determinadas ocasiões, a reação popular era significativamente mais entusiasmada quando ela aparecia do que quando Charles estava do outro lado da rua.
Para Spencer, a popularidade extraordinária da princesa acabou criando uma situação difícil dentro da própria monarquia.
As revelações do livro não passaram sem resposta do Palácio de Buckingham. A instituição contestou parte das lembranças apresentadas por Spencer e afirmou que o sofrimento provocado pela morte de Diana poderia ter influenciado a maneira como o irmão recorda determinados acontecimentos.











