A informação de que a dipirona foi proibida no Brasil voltou a circular nas redes sociais, mas a medida adotada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi bem mais restrita. Em abril de 2026, a agência determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso de um lote específico do medicamento injetável após identificar um problema de qualidade durante análises.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução (RE) nº 1.380/2026 e não afeta os demais lotes ou apresentações da dipirona comercializados regularmente no país.
A medida atingiu o lote 24112378 da dipirona monoidratada 500 mg/mL, fabricada pela Hypofarma e comercializada em caixas com 100 ampolas de 2 mL.
Segundo a Anvisa, foi constatada a presença de material particulado na solução, ou seja, partículas estranhas e não dissolvidas na formulação do medicamento. Como se trata de um produto injetável, a irregularidade representa um risco à segurança dos pacientes, já que essas impurezas podem ser introduzidas diretamente na corrente sanguínea.
Por esse motivo, a agência determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso do lote, além de orientar hospitais, clínicas, farmácias e pacientes a interromperem imediatamente sua utilização e procurarem o fabricante para orientações sobre substituição.
Medida não retirou a dipirona do mercado
A decisão da Anvisa vale apenas para o lote identificado com desvio de qualidade e não significa que a dipirona tenha sido proibida no Brasil.
O medicamento continua autorizado para venda e uso em suas demais apresentações e lotes aprovados pelos órgãos de fiscalização. A dipirona é um dos analgésicos e antitérmicos mais utilizados no país, sendo indicada para o tratamento de febre, dores de cabeça, dores musculares, cólicas e outros quadros dolorosos.
Na mesma resolução publicada em abril, a Anvisa também determinou a suspensão de lotes de outros medicamentos manipulados por diferentes empresas, incluindo produtos à base de ésteres de testosterona, nandrolona, tirzepatida e semaglutida, além de estabelecer ações de fiscalização e apreensão quando necessário.
A agência reforçou que o recolhimento do lote da dipirona ocorreu por descumprimento das normas sanitárias de controle de qualidade exigidas para medicamentos injetáveis, que precisam atender a rigorosos padrões de segurança antes de chegarem aos pacientes.



