O Nubank deu mais um passo na tentativa de adquirir a operação brasileira da Caixa Geral de Depósitos (CGD), banco estatal de Portugal, e desponta como favorito entre os finalistas do processo de venda da instituição. Caso a negociação seja concluída, a fintech poderá obter uma licença bancária de forma mais rápida, atendendo às novas exigências do Banco Central (BC) para o uso do termo “bank” em sua marca.
Apesar do avanço nas negociações, a compra ainda não foi concluída. O processo está em fase final de propostas e depende da escolha da melhor oferta pelo governo português, além da aprovação dos órgãos reguladores do Brasil e de Portugal.
O interesse do Nubank na aquisição da CGD Brasil está diretamente ligado às novas regras do Banco Central. Em novembro do ano passado, a autoridade monetária publicou uma portaria determinando que instituições sem licença bancária plena não poderão utilizar termos que remetam à atividade bancária, como “bank”, em seus nomes, marcas ou domínios.
Desde sua criação, há 13 anos, o Nubank atua principalmente nos segmentos de pagamentos, cartões e crédito, sem possuir uma licença bancária completa. A compra de uma instituição já autorizada pelo BC pode acelerar esse processo de regularização.
Em nota, a fintech afirmou que continua avaliando diferentes alternativas para obter a licença bancária ainda neste ano.
“Essas análises não significam uma definição sobre qualquer operação específica. Como companhia aberta, temos compromisso com a transparência e comunicaremos ao mercado quando qualquer decisão relevante for tomada”, informou a empresa.
Anteriormente, o fundador e CEO global do Nubank, David Vélez, afirmou que uma eventual aquisição teria como principal objetivo justamente obter a licença bancária, e não necessariamente incorporar uma carteira de clientes ou operações de crédito.
Governo português espera arrecadar cerca de R$ 250 milhões
Segundo informações do processo de desestatização, o governo de Portugal pretende receber aproximadamente R$ 250 milhões pela venda da subsidiária brasileira da Caixa Geral de Depósitos, embora parte desse valor envolva a assunção de dívidas da instituição.
A filial brasileira possui cerca de R$ 1,8 bilhão a R$ 1,9 bilhão em ativos, patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões e aproximadamente R$ 870 milhões em operações de crédito. Parte dessa carteira, no entanto, é considerada complexa pelo mercado financeiro, incluindo operações de maior risco.
A venda faz parte do compromisso assumido por Portugal durante o processo de reestruturação econômica após a crise financeira de 2008, quando o país concordou com a alienação de ativos estatais para reduzir seu endividamento.
Nubank é apontado como favorito entre os concorrentes
Além do Nubank, outros grupos seguem na disputa pela aquisição da operação brasileira da CGD.
Entre eles estão a MD Capital, formada pelos ex-executivos do Bradesco Mário Teixeira e Dorival Bianchi; a Garantia Capital, liderada pelo banqueiro Luiz Cesar Fernandes, fundador dos bancos Garantia e Pactual; e um grupo ligado ao empresário Alberto Leite, da FS Security.
Os interessados passaram por uma etapa de apresentação de garantias financeiras, exigidas pelo governo português para assegurar a capacidade de pagamento do vencedor da disputa.
Segundo fontes ligadas ao processo, a expectativa é que apenas dois concorrentes avancem para a fase decisiva, e o Nubank aparece atualmente como o principal favorito.




