A atriz Angelina Jolie mantém há mais de duas décadas um dos projetos ambientais mais incomuns envolvendo celebridades de Hollywood. No noroeste do Camboja, a artista adquiriu uma área de aproximadamente 60 mil hectares, equivalente a cerca de 84 mil campos de futebol oficiais, para transformar a região em uma reserva de preservação ambiental voltada à proteção da floresta tropical e da vida selvagem local.
A área fica na região de Samlout, próxima a zonas preservadas e antigas áreas de conflito do país asiático, conhecida pela grande biodiversidade. Entre os animais encontrados na região estão elefantes-asiáticos, leopardos-nebulosos, gibões, macacos-de-cauda-longa, ursos-malaio e asiático, cervos selvagens, javalis, pítons, cobras-cuspideiras, crocodilos-de-água-doce, pavões-verdes e aves conhecidas como calaus.
O projeto ambiental foi criado após a adoção de Maddox, primeiro filho da atriz, nascido no Camboja. Depois da adoção, em 2002, Angelina passou a ampliar sua ligação com o país asiático e fundou a Maddox Jolie-Pitt Foundation, iniciativa voltada a ações sociais e ambientais na região.

Ex-caçadores viraram guardas da reserva
Antes da criação da reserva, a região era marcada por caça ilegal e desmatamento. Segundo relatos ligados à iniciativa, a atriz decidiu contratar antigos caçadores locais para trabalharem como guardas florestais da propriedade.
A estratégia buscou unir preservação ambiental e geração de renda para comunidades da região, transformando antigos responsáveis pela caça em agentes de proteção da fauna silvestre.
Além da reserva, Angelina também mantém uma residência tradicional no país. A casa, construída em estilo típico cambojano, fica cercada pela floresta tropical e já apareceu em campanhas publicitárias gravadas pela atriz no local.
Compra de terras gerou polêmica
A aquisição da área também acabou envolvida em controvérsia anos depois. Reportagens internacionais apontaram que parte das terras teria sido negociada por intermediários ligados a Yim Tith, ex-integrante do Khmer Vermelho posteriormente acusado de crimes contra a humanidade por promotores internacionais.
Documentos divulgados por veículos estrangeiros indicam que a compra inicial ocorreu em 2003 por meio de representantes da atriz, antes de a artista receber cidadania cambojana, o que aconteceu em 2005 e permitiu que as propriedades fossem transferidas oficialmente para seu nome.
Não há confirmação de que Angelina Jolie tivesse conhecimento das acusações envolvendo o ex-oficial no momento da negociação. A atriz nunca comentou publicamente o caso.



