A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a suspensão imediata da venda, distribuição e uso de suplementos alimentares fabricados pela IDNLABS no Brasil, após identificar uma série de irregularidades sanitárias em testes laboratoriais e rótulos dos produtos.
A medida, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (19), atinge 11 lotes de suplementos amplamente consumidos por praticantes de atividades físicas, incluindo creatina em pó, BCAA, beta-alanina e multivitamínicos. Segundo a agência, a própria empresa comunicou o início de um recolhimento voluntário, mas a decisão também inclui suspensão formal dos produtos no mercado.
Entre as irregularidades apontadas pela Anvisa estão o descumprimento de requisitos sanitários, falhas na designação dos produtos, ausência de advertências obrigatórias e rotulagem considerada de difícil visualização.
A agência também identificou uso de alegações não autorizadas em rótulos e materiais de divulgação, o que pode induzir consumidores a interpretações incorretas sobre efeitos dos suplementos.
Em análises técnicas, foram encontrados resultados abaixo dos limites mínimos em estudos de estabilidade, além de inconsistências na composição declarada nas embalagens. No caso da beta-alanina, a recomendação de uso também estaria fora dos limites autorizados pela regulação vigente.
As infrações citadas envolvem dispositivos da Lei 986/1969 e resoluções da própria Anvisa, incluindo normas sobre rotulagem e requisitos sanitários de suplementos alimentares.
Lista de lotes suspensos
A suspensão atinge diferentes lotes de produtos da IDNLABS, entre eles:
- Creatina em pó (0147.05.2025; 0285.05.2025; 0148.05.2025)
- Beta-alanina em pó (0267.08.2025; 079.02.2025; 0149.05.2025)
- BCAA 2-1-1 em comprimidos (003.01.2025; 044.01.2025; 004.01.2025)
- Multivitamínicos e multiminerais em comprimidos revestidos (005.01.2026; 0211.07.2025)
A orientação da agência é para que consumidores, lojas e distribuidores interrompam imediatamente o uso e a comercialização dos produtos atingidos.
Sanibras também foi alvo de medida mais ampla
Além da IDNLABS, a Anvisa determinou uma ação ainda mais abrangente contra a empresa Sanibras Medicamentos e Nutrição Ltda. Nesse caso, todos os lotes de suplementos fabricados até 12 de junho de 2026 devem ser recolhidos.
A medida também suspende fabricação, venda, divulgação e uso dos produtos, após inspeção identificar falhas graves nas boas práticas de produção, incluindo ausência de estudos de estabilidade e riscos de contaminação cruzada.
Segundo a agência, essas falhas podem comprometer a segurança dos suplementos ao longo do prazo de validade.
Rótulos com promessas proibidas
Outro ponto destacado pela Anvisa foi a presença de alegações terapêuticas e funcionais não autorizadas em rótulos e materiais publicitários, o que caracteriza risco de indução ao erro do consumidor.
A agência reforça que os produtos enquadrados nas resoluções não devem ser consumidos, vendidos ou distribuídos em nenhuma hipótese até nova avaliação regulatória.
As medidas constam nas Resoluções 2.149/2026 e 2.418/2026, publicadas no Diário Oficial da União.




