Um jovem de 25 anos com ceratocone e grande dificuldade para enxergar passou por um procedimento oftalmológico de alta tecnologia oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que pode evitar a necessidade de um transplante de córnea. A cirurgia foi realizada no Hospital São João Batista, unidade da Rede Municipal de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, e marcou a primeira realização da técnica na instituição.
O paciente recebeu um implante de anel intraestromal de arco longo, dispositivo utilizado para alterar a estrutura da córnea e melhorar sua capacidade de formar imagens. O procedimento é considerado pouco comum na rede pública, apesar de estar disponível pelo SUS em determinadas situações.
Segundo o oftalmologista André Luiz Parolin Ribeiro, responsável pela cirurgia, encontrar unidades que realizem esse tipo de procedimento ainda é difícil. No caso do jovem, a intervenção teve como um dos principais objetivos melhorar a qualidade visual e evitar a evolução para uma situação que pudesse exigir transplante.

Ceratocone afeta a estrutura da córnea
O ceratocone é uma doença ocular progressiva que provoca alterações na córnea, estrutura transparente localizada na parte frontal do olho. Com a evolução do quadro, a córnea pode adquirir um formato mais irregular, comprometendo a qualidade da visão.
A condição pode dificultar a correção visual convencional e, dependendo da evolução e das características de cada paciente, exigir tratamentos específicos. Por isso, a avaliação oftalmológica é fundamental para determinar qual abordagem é adequada.
No caso das cirurgias destinadas à correção de grau, por exemplo, a indicação não depende apenas da idade. Os especialistas avaliam fatores como estabilidade da refração, espessura e curvatura da córnea, saúde ocular e presença de doenças que possam aumentar os riscos ou comprometer o resultado.
Entre as condições que precisam ser analisadas estão justamente o ceratocone, além de olho seco importante, alterações na retina e outras doenças oculares.
Procedimento foi realizado em hospital público
A cirurgia ocorreu no dia 6 e representa mais uma modalidade de atendimento especializado incorporada à estrutura oftalmológica do Hospital São João Batista.
Após o procedimento, o acompanhamento do paciente é realizado na Policlínica da Cidadania, onde funciona o Centro Oftalmológico de Volta Redonda. O acompanhamento pós-operatório é importante para verificar a evolução clínica e a resposta ao implante.
Embora o anel intraestromal de arco longo seja disponibilizado pelo SUS, a oferta do procedimento ainda é restrita a determinadas unidades. A realização da cirurgia em um hospital público amplia as possibilidades de tratamento para pacientes que apresentam condições compatíveis com a técnica.
Unidade reúne outros procedimentos oftalmológicos
Além do implante realizado no jovem de 25 anos, o Hospital São João Batista oferece outros tratamentos e cirurgias oftalmológicas de maior complexidade.
Entre os procedimentos realizados estão cirurgias de catarata em pacientes com comorbidades, cirurgias de vitrectomia, que também podem ser associadas à operação de catarata, e procedimentos para correção de estrabismo.
A unidade também realiza a dacriocistorrinostomia, técnica utilizada para desobstrução do ducto nasolacrimal, além de cirurgias plásticas e aplicações de injeção intravítrea, procedimento realizado dentro do globo ocular e utilizado, em determinadas situações, no tratamento de doenças da retina.











