Você arriscaria a sua vida para resgatar artefatos históricos? Provavelmente a resposta é não, mas foi isso que arqueólogos da Síria fizeram durante os verões de 2014 e de 2015. Um novo estudo detalha como esses profissionais arriscaram suas vidas para resgatar cerca de 30 mil artefatos do Museu de Deir ez-Zor, quando a cidade estava ameaçada de invasão pelo Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS), ou Daesh.
A cidade de Deir ez-Zor, capital da província de mesmo nome, abriga campos de petróleo e gás, o que tornou a região extremamente disputada durante o conflito.
O estudo que mencionamos mais acima foi escrito por Maamoun Abdulkarim, professor de arqueologia e história da Universidade de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, e publicado na revista Museum Management and Curatorship. Abdulkarim descreve a operação de resgate desses itens históricos em 2014 e 2015 e destaca a importância de proteger patrimônio cultural e histórico em tempos de guerra.
“Estávamos protegendo milhares de anos de memória que a guerra ameaçava apagar”
De acordo com o Phys, Abdulkarim supervisionou a operação na época como diretor-geral da Direção-Geral de Antiguidades e Museus da Síria (DGAM), posição que ele ocupou entre 2012 e 2017. Ele aproveitou sua posição para resgatar cerca de 30 mil artefatos de museus arqueológicos. “Não resgatamos 30.000 objetos simplesmente para salvar 30.000 peças de museu. Estávamos protegendo milhares de anos de memória que a guerra ameaçava apagar”, escreveu o autor.
O autor também defende a importância de ações preventivas que devem ser estabelecidas em tempos de estabilidade para lidar com possíveis emergências, como o relacionamento entre funcionários, documentação, capacidade profissional e confiança. “Não se deve esperar que uma crise ecloda para então agir. Essas bases não podem ser construídas da noite para o dia”, argumenta Abdulkarim.











