O surto de Ebola que atinge a República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou a marca de 2,3 mil mortes e se tornou o mais letal já registrado na história do país. Dados oficiais divulgados no domingo apontam 4.945 casos confirmados e 2.325 mortes desde o início da atual epidemia, resultando em uma taxa de letalidade de 47%. O número de vítimas já supera o registrado durante o surto de 2018 a 2020, que deixou 2.299 mortos.
A atual epidemia é a 17ª registrada na RDC desde a identificação do vírus no país, em 1976. O surto foi oficialmente declarado em 15 de maio de 2026 e é provocado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, que, segundo as informações disponíveis, não possui vacinas ou tratamentos aprovados específicos.
Além de já ter ultrapassado o maior número de mortes registrado anteriormente no país, a atual epidemia também havia se tornado, no fim de julho, o maior surto de Ebola da história da RDC em número de casos.
O chefe humanitário das Nações Unidas, Tom Fletcher, classificou a situação como o surto de crescimento mais rápido já registrado. O representante afirmou que é necessário ampliar rapidamente a resposta para evitar que a doença avance ainda mais.
A preocupação também foi manifestada pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Segundo ele, caso o atual ritmo de transmissão seja mantido, o surto poderá superar a dimensão da epidemia de Ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, responsável por mais de 11 mil mortes.

Quase metade dos casos confirmados termina em morte
Outro indicador que chama atenção é o aumento da taxa de letalidade. No início de junho, aproximadamente 20% das pessoas diagnosticadas com a doença morriam. Os dados mais recentes apontam uma taxa próxima de 47%, o que significa que quase uma em cada duas pessoas com infecção confirmada não sobrevive.
Especialistas consideram o avanço particularmente preocupante porque, normalmente, a taxa de letalidade tende a diminuir conforme uma epidemia avança. Isso ocorre quando o rastreamento de contatos melhora, os casos são identificados mais rapidamente e os pacientes conseguem receber atendimento em estágio inicial.
Infraestrutura e conflitos dificultam combate à doença
O avanço do Ebola ocorre em uma região marcada por dificuldades estruturais que complicam a resposta das autoridades. A fragilidade do sistema de saúde, a distância de algumas comunidades e os conflitos existentes nas áreas próximas às fronteiras com Sudão do Sul, Uganda e Ruanda estão entre os fatores que dificultam o controle da epidemia.
A combinação desses problemas pode atrasar a identificação de novos casos e o encaminhamento de pacientes para atendimento especializado. Também torna mais difícil acompanhar pessoas que tiveram contato com infectados, uma das medidas fundamentais para interromper as cadeias de transmissão.
O crescimento acelerado da epidemia aumenta, consequentemente, a pressão sobre as equipes de saúde e as organizações humanitárias que atuam na região.
O que é o Ebola
O Ebola, também conhecido como doença do vírus Ebola, é uma enfermidade grave e relativamente rara provocada por vírus do gênero ortoebolavírus. Existem diferentes espécies e variantes do vírus, e a atual epidemia na República Democrática do Congo está associada à espécie Bundibugyo.
O vírus pode infectar seres humanos e outros animais. Os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são considerados os principais hospedeiros naturais do Ebola.
A doença foi identificada pela primeira vez em 1976, justamente em um surto ocorrido no território que atualmente corresponde à República Democrática do Congo. Desde então, o país registrou o maior número de epidemias de Ebola do mundo.











