O Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China deram início a um projeto-piloto que aproxima os sistemas de pagamento dos dois países. A iniciativa conecta a rede chinesa UnionPay International ao Pix, permitindo que turistas e visitantes chineses realizem pagamentos em estabelecimentos brasileiros utilizando os aplicativos bancários que já usam em seu país de origem.
Na prática, os asiáticos não passarão a operar o Pix diretamente, mas poderão utilizar a infraestrutura do sistema brasileiro por meio da plataforma de pagamentos da UnionPay. O pagamento será feito em reais por QR Code, sem necessidade de trocar dinheiro em espécie ou utilizar cartões internacionais.
A integração representa um novo passo na cooperação financeira entre Brasil e China e busca facilitar tanto o turismo quanto as relações comerciais entre as duas maiores economias emergentes de seus respectivos hemisférios.

Como funcionará a integração
Durante a fase piloto, usuários do aplicativo da UnionPay e de bancos chineses conectados à Plataforma de Pagamento da Rede UnionPay poderão escanear o QR Code do Pix em estabelecimentos brasileiros e concluir a compra diretamente pelo aplicativo utilizado na China.
A operação acontece de forma integrada entre os sistemas dos dois países, permitindo que o comerciante receba normalmente em reais enquanto o consumidor utiliza sua conta bancária na China.
Segundo a UnionPay International, o projeto estabelece um canal de pagamentos transfronteiriços via QR Code entre Brasil e China e deverá ampliar a segurança, a eficiência e a conveniência das transações internacionais.
A expectativa é que, após a fase inicial, o serviço seja expandido para outras carteiras digitais parceiras da UnionPay que utilizam tecnologia de QR Code.
Pix continua sendo um sistema brasileiro
Apesar da integração, o Pix continua sendo um sistema de pagamentos desenvolvido e operado exclusivamente pelo Banco Central do Brasil.
Na China, existe um sistema público semelhante, chamado Internet Banking Payment System (IBPS), criado em 2010 pelo Banco Popular da China para permitir transferências instantâneas entre instituições financeiras.
Entretanto, no cotidiano dos consumidores chineses, os pagamentos digitais são amplamente dominados pelas plataformas privadas Alipay e WeChat Pay, aceitas em praticamente todo o comércio do país.
Com a nova integração, usuários desses ecossistemas ligados à UnionPay poderão utilizar seus aplicativos habituais para efetuar pagamentos em estabelecimentos brasileiros habilitados para receber Pix.
Expansão da presença da UnionPay na América Latina
A UnionPay avalia que o projeto representa um marco importante para ampliar sua atuação na América Latina e fortalecer sua rede internacional de pagamentos.
Segundo a empresa, a iniciativa também deverá incentivar o intercâmbio entre pessoas, facilitar viagens internacionais e ampliar a cooperação econômica entre Brasil e China.
Lançado pelo Banco Central em 2020, o Pix tornou-se uma das principais infraestruturas de pagamentos instantâneos da América Latina. Atualmente, o sistema está presente em aproximadamente 15 milhões de estabelecimentos comerciais brasileiros e é utilizado diariamente por milhões de pessoas para transferências e pagamentos.












