Uma nova greve de bancários começa a ganhar força em diferentes regiões do Brasil e pode provocar o fechamento de agências a partir desta semana. Trabalhadores de diversos estados aprovaram paralisações por tempo indeterminado, enquanto outras bases sindicais ainda realizam assembleias e avaliam a adesão ao movimento. Em várias localidades, a data prevista para o início da greve é 10 de setembro.
A mobilização ocorre em meio às negociações da campanha salarial da categoria com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Enquanto trabalhadores de bancos privados aprovaram a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), empregados da Caixa rejeitaram a proposta e decidiram pela paralisação.
O cenário ainda pode sofrer alterações ao longo da semana, já que outras bases sindicais continuam discutindo os próximos passos.
Entre os locais que já têm paralisações aprovadas estão São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Goiás, Bahia, Ceará, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Tocantins, Minas Gerais, Distrito Federal, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Em São Paulo, dezenas de bases da Caixa aprovaram o movimento, incluindo os sindicatos de São Paulo e Osasco. Em Bauru, a paralisação também alcança trabalhadores de outras instituições financeiras.

No Rio de Janeiro, empregados da Caixa vinculados à base sindical da capital devem iniciar a greve no dia 10. No Espírito Santo, a paralisação envolve Caixa, Banco do Brasil, Banestes e Banco do Nordeste.
No Pará, trabalhadores de bancos públicos e privados já iniciaram o movimento, com exceção do Banpará. No Maranhão e no Rio Grande do Norte, a greve está prevista desde 8 de setembro, enquanto funcionários da Caixa em Goiás também iniciaram a paralisação nessa data.
Na Bahia, Ceará, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal, entre outros locais, há paralisações previstas para o dia 10. Em Minas Gerais, Caixa e Banco do Brasil têm greve aprovada em Belo Horizonte e região.
Também existem bases da Caixa com paralisação aprovada no Paraná e em Mato Grosso do Sul, enquanto no Piauí há movimentos envolvendo Caixa e Banco do Brasil.
Quais bancos podem ser afetados?
A mobilização pode atingir o atendimento de instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia, Bradesco, Itaú e Santander, dependendo da adesão das respectivas bases sindicais.
O Banpará, porém, ficou fora do movimento após os trabalhadores aprovarem uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho.
Mesmo com o fechamento de agências em determinadas localidades, a paralisação não significa necessariamente a interrupção de todos os serviços bancários. Canais digitais, aplicativos, caixas eletrônicos e outros meios de atendimento podem continuar disponíveis conforme as condições de cada instituição.
Proposta prevê inflação mais aumento real
O impasse está relacionado às negociações da campanha salarial. A proposta apresentada pela Fenaban prevê a reposição da inflação medida pelo INPC, acrescida de aumento real de 0,6% em 2026 e 2027.
A mesma correção seria aplicada a benefícios recebidos pelos trabalhadores, incluindo vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Apesar da proposta, diferentes bases rejeitaram os termos apresentados e optaram pela mobilização.
Entre os bancários de instituições privadas, a proposta de renovação da CCT foi aprovada por 66,10% dos votos válidos. No Banco do Brasil, a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) recebeu 51,65% dos votos válidos.
A situação foi diferente na Caixa. Os empregados rejeitaram a proposta por 90% dos votos e aprovaram a greve a partir de 10 de setembro.
A assinatura da renovação da CCT 2026/2028 está prevista para quarta-feira (9).
Trabalhadores também questionam fechamento de agências
Além das questões salariais, os bancários reivindicam mudanças nas condições de trabalho e discutem os impactos da redução da estrutura física dos bancos.
Dados apresentados pelo sindicato indicam que mais de 83,5 mil postos de trabalho foram eliminados no setor desde 2016. Desde 2015, o número de agências encerradas ultrapassa 8,5 mil unidades.
A categoria questiona os efeitos desse processo sobre as condições de trabalho e sobre o atendimento oferecido à população, especialmente em regiões onde a presença física das instituições financeiras diminuiu.
No caso específico da Caixa, o sindicato deverá comunicar oficialmente a instituição sobre a decisão da assembleia na terça-feira (8), seguindo os procedimentos legais previstos para a deflagração do movimento.
Até o momento, não existe uma data definida para o encerramento da greve. A paralisação deverá continuar enquanto trabalhadores e instituições financeiras não chegarem a um novo entendimento.











