O Conselho Estadual de Educação do Texas aprovou uma nova lista de obras de leitura obrigatória para estudantes das escolas públicas que inclui trechos da Bíblia como parte do currículo oficial. A medida, aprovada por maioria de votos, valerá a partir do segundo semestre letivo de 2030 e faz parte de um conjunto de mudanças educacionais defendidas por lideranças conservadoras do estado norte-americano.
A decisão estabelece, pela primeira vez, uma lista de livros e textos que deverão ser lidos por alunos de diferentes séries da rede pública. Embora os professores continuem autorizados a utilizar obras adicionais, os conteúdos definidos pelo conselho passam a ser obrigatórios nas salas de aula.
Segundo o novo currículo, estudantes do sétimo ano deverão ler passagens dos livros de Jonas e dos Salmos. Já no ensino médio, serão incluídos trechos de outras partes da Bíblia, como Gênesis, Lamentações e textos do Novo Testamento, incluindo referências à vida de Jesus e à Parábola do Filho Pródigo.
Medida amplia presença de conteúdos religiosos nas escolas
A votação terminou em 9 votos favoráveis e 5 contrários, com apoio da maioria republicana que controla o Conselho Estadual de Educação. O integrante republicano Brandon Hall afirmou que a medida representa o retorno da Bíblia às escolas públicas após cerca de seis décadas.
O currículo também reúne clássicos da literatura inglesa, como Grandes Esperanças, de Charles Dickens, e Júlio César, de William Shakespeare, além de discursos históricos, como I’ve Been to the Mountaintop, de Martin Luther King Jr., e a homenagem feita pela ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher ao ex-presidente Ronald Reagan.
A iniciativa decorre de uma lei estadual aprovada em 2023, que determinou que autoridades educacionais elaborassem uma relação oficial de obras literárias para todas as séries da educação básica.
Decisão gera críticas e apoio
A inclusão obrigatória de textos bíblicos provocou reações de entidades ligadas à educação e à defesa das liberdades civis. Críticos afirmam que a medida fere o princípio da separação entre Estado e religião, além de privilegiar o cristianismo em detrimento de outras tradições religiosas.
Também há questionamentos sobre a diversidade da lista de leitura, considerada excessivamente centrada em autores ocidentais e majoritariamente homens brancos, em um estado onde mais da metade dos estudantes da rede pública é formada por alunos negros e hispânicos.
Representantes da associação de professores do Texas também demonstraram preocupação com a extensão da lista obrigatória e com a possível redução da autonomia dos docentes na escolha dos materiais didáticos.
Por outro lado, defensores da proposta argumentam que as tradições judaico-cristãs desempenharam papel fundamental na formação histórica e política dos Estados Unidos e, por isso, devem fazer parte da formação escolar.
A aprovação ocorre após outras iniciativas do Texas voltadas à ampliação da presença de símbolos religiosos nas escolas públicas.




