O Laboratório Cristália anunciou uma pesquisa inédita no Brasil para desenvolver uma vacina contra o tabagismo. O projeto, ainda em fase embrionária de Early Discovery, testa protótipos em modelos animais e busca uma abordagem diferente das estratégias tradicionais de combate ao vício.
Em vez de substituir a nicotina ou reduzir a fissura com medicamentos, a vacina pretende treinar o sistema imunológico para atacar a molécula da droga. A nicotina, por ser pequena, costuma escapar das defesas do corpo e chegar ao cérebro em segundos, onde ativa o sistema de recompensa e libera dopamina.
A vacina propõe acoplar a nicotina a uma estrutura maior, que o organismo reconhece como invasora, estimulando a produção de anticorpos. Se o vacinado fumar, os anticorpos capturariam a nicotina na corrente sanguínea, impedindo-a de chegar ao cérebro.
Mortes por tabaco
O tabaco mata cerca de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a OMS. Dados mostram que 85% dos fumantes que tentam parar recaem no primeiro ano. A vacina mira justamente essa janela crítica para prevenir a recaída.
Há precedentes frustrados, como a NicVAX, que chegou à fase 3, mas não mostrou eficácia em 2011. Pesquisas mais recentes em modelos animais avançaram, mas ainda não chegaram aos humanos. O anúncio brasileiro, portanto, é relevante, mas cercado de cautela.
O Cristália afirma que os antígenos sintéticos já induziram anticorpos em animais e impediram o comportamento aditivo. A empresa prepara o pedido de patente e planeja publicar os resultados após essa etapa.
O caminho até a aprovação é longo: estudos pré-clínicos, desenvolvimento farmacotécnico e ensaios em humanos.











