Ministros das Relações Exteriores e representantes de alto nível de Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru assinaram nesta quinta-feira (28), em Santiago, um novo acordo regional voltado ao combate do crime organizado transnacional, narcotráfico e imigração irregular. O Brasil não participou da reunião.
O encontro ocorreu em meio ao avanço de facções criminosas e ao aumento da violência em diversos países da América do Sul. Entre as principais preocupações debatidas esteve a atuação da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, que já opera em vários países do continente, inclusive em território brasileiro.
O presidente chileno, José Antonio Kast, classificou a reunião como um momento “histórico” e afirmou que os países envolvidos estão cansados do avanço do crime organizado sobre bairros, fronteiras e instituições públicas.

Países querem reforçar fronteiras e inteligência
Durante a cúpula, os governos concordaram em ampliar o compartilhamento de informações de inteligência, reforçar o controle migratório e coordenar ações de segurança nas fronteiras.
Também foi definida a criação de um grupo de trabalho permanente para elaborar medidas concretas nas áreas de segurança pública, inteligência financeira, rastreamento de recursos ilícitos e cooperação institucional.
O chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, afirmou que o objetivo é garantir maior integração regional no combate às organizações criminosas.
Segundo o plano aprovado, os cinco países voltarão a se reunir em até 180 dias, em Buenos Aires, para avaliar os avanços das medidas anunciadas.
Violência cresce na América Latina
A preocupação regional ocorre em meio ao aumento dos índices de violência ligados ao narcotráfico, extorsão, mineração ilegal e atuação de facções armadas.
Dados citados durante a reunião apontam que a taxa média de homicídios na América Latina chega a 18 mortes por 100 mil habitantes, número três vezes superior à média mundial.
No Equador, considerado até poucos anos atrás um dos países mais seguros da região, a taxa alcançou 51 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, crescimento de 550% em apenas cinco anos.
O procurador nacional chileno, Ángel Valencia, afirmou que metade dos crimes violentos registrados na região possui ligação direta com organizações criminosas transnacionais.
Ausência do Brasil chama atenção
A ausência do Brasil foi um dos pontos que mais repercutiram após a reunião, principalmente porque o país faz fronteira com praticamente todos os participantes do acordo e também enfrenta problemas relacionados ao tráfico internacional de drogas e facções criminosas.
Os organizadores destacaram que o crime organizado possui natureza transnacional e que ações isoladas dos governos nacionais já não são suficientes para enfrentar a expansão dessas redes criminosas.
O novo tratado prevê ainda ações coordenadas para rastrear fluxos financeiros ilegais, fortalecer mecanismos regionais de resposta rápida e ampliar a cooperação entre órgãos de segurança e imigração dos países envolvidos.



