Há exatamente seis anos, uma brasileira protagonizou uma das cenas mais impressionantes da história do surfe. Em 11 de fevereiro de 2020, Maya Gabeira desafiou as gigantescas ondas da Praia do Norte, em Nazaré, Portugal, e surfou uma parede de água de 22,4 metros de altura, equivalente a 73,5 pés — aproximadamente a altura de um prédio de sete andares.
O feito não foi apenas uma demonstração de coragem. A onda garantiu a Maya o recorde mundial do Guinness World Records para a maior onda já surfada por uma mulher, superando a própria marca que ela havia estabelecido no mesmo local, em 2018, por cerca de 1,7 metro.
Seis anos depois, o episódio continua sendo lembrado como um dos momentos mais marcantes do esporte brasileiro e do surfe de ondas gigantes.
Onda foi registrada e analisada por especialistas
A dimensão da onda não foi determinada apenas pela impressão causada pelas imagens. Como medir ondas gigantes é uma tarefa complexa, o registro passou por uma análise científica antes da confirmação oficial.
Equipes da University of Southern California, da WaveCo Science Team e da Scripps Institution of Oceanography examinaram fotografias e vídeos feitos durante o momento.
Para chegar à medida final, os especialistas utilizaram coordenadas reais e diferentes pontos de referência presentes nas imagens. Entre os parâmetros considerados estavam a altura da própria surfista e o comprimento de sua prancha.
O resultado das análises apontou para 22,4 metros, medida posteriormente validada pelo Red Bull Big Wave Award. A World Surf League também reconheceu Maya como vencedora do prêmio cbdMD XXL Biggest Wave Award.
A própria surfista descreveu a experiência como especial, embora cercada de medo diante da dimensão da onda.
Recorde anterior também havia sido estabelecido por Maya
A marca de 2020 teve um significado ainda maior porque não era a primeira vez que Maya Gabeira fazia história em Nazaré.
Em 2018, a brasileira havia estabelecido o recorde feminino de maior onda surfada no mundo. Dois anos depois, voltou às mesmas águas e aumentou a própria marca.
Nazaré se tornou um dos principais palcos mundiais para ondas gigantes devido às características do fundo submarino da região, que contribuem para a formação de paredes de água extraordinárias.
O local fica aproximadamente 120 quilômetros ao norte de Lisboa, capital portuguesa, e também é cenário do recorde masculino.
Brasileira enfrentou acidentes e traumas na carreira
A trajetória de Maya até os recordes foi marcada por momentos de extremo risco. Em 2013, um acidente em Nazaré a deixou inconsciente dentro da água. Ela acabou sendo resgatada pelo também surfista brasileiro Carlos Burle.
Mesmo depois do episódio, das lesões e de outros traumas graves, Maya continuou ligada ao esporte.
Sua carreira profissional começou em 2004, quando tinha apenas 17 anos. Cinco anos depois, em 2009, recebeu um prêmio ESPY na categoria de Melhor Atleta Feminina de Esportes de Ação.
A relação com as ondas gigantes, portanto, foi construída ao longo de anos de treinamento e desafios.
Uma marca que entrou para a história
Ao conquistar os 22,4 metros em 2020, Maya transformou uma onda gigantesca em uma marca histórica para o esporte feminino.
O feito também colocou novamente o Brasil no centro do surfe de ondas grandes. No masculino, o país também possui uma marca histórica em Nazaré: Rodrigo Koxa surfou uma onda de 24,38 metros, equivalente a 80 pés.











