Uma greve nacional dos bancários está prevista para quinta-feira (20) depois que trabalhadores de todo o país aprovaram, em assembleias realizadas na segunda-feira (17), uma paralisação de 24 horas. A mobilização ocorre durante a Campanha Nacional Unificada de 2026 e envolve reivindicações relacionadas a salários, benefícios, condições de trabalho e manutenção dos empregos.
A decisão foi tomada após a categoria rejeitar as propostas apresentadas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na rodada de negociação da última quinta-feira (13). Segundo as entidades sindicais, os bancos não apresentaram um índice de reajuste para os salários e demais verbas, apesar de terem assumido esse compromisso anteriormente.
A paralisação, no entanto, ainda pode ser evitada. As negociações continuam nesta terça-feira (18), enquanto novas reuniões estão previstas com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal na quarta-feira (19). Na sexta-feira (21), está programada uma rodada com o BNDES.
Categoria rejeita proposta dos bancos
As assembleias realizadas pelos sindicatos rejeitaram as propostas apresentadas pela Fenaban no encontro do dia 13. De acordo com as informações divulgadas pelas entidades, a rejeição alcançou 97% de apoio.
Entre os pontos que provocaram reação está a proposta de congelamento do piso de ingresso e a divisão do reajuste salarial em três faixas diferentes.
Outro ponto de conflito envolve os vales-refeição e alimentação. Os bancos propuseram uma redução dos valores pagos aos trabalhadores em cidades do interior, sob a justificativa de que esses municípios teriam custo de vida menor. A categoria rejeitou a medida.
Durante as negociações, também houve ameaça de acionamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) para validar a redução dos benefícios.
Por volta das 11h desta terça-feira, a Contraf-CUT informou que a Fenaban havia solicitado uma pausa nas negociações depois de receber o resultado das assembleias. Até o momento das informações apresentadas, a federação patronal não havia divulgado uma posição definitiva sobre a paralisação.
O que os bancários reivindicam
A Campanha Nacional Unificada de 2026 reúne uma série de demandas dos trabalhadores. Entre as principais estão:
- reajuste salarial acima da inflação;
- aumento real dos salários;
- valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- melhoria dos valores dos tíquetes;
- novas contratações;
- manutenção dos empregos;
- combate às metas consideradas abusivas;
- medidas para reduzir o adoecimento dos trabalhadores;
- melhores condições de trabalho e saúde;
- fim do fechamento de agências;
- igualdade de oportunidades.
A categoria também reivindica políticas específicas para ampliar a participação de mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência e integrantes da comunidade LGBTQIA+ no setor bancário, além de maior qualificação de mulheres na área de tecnologia.
As reivindicações foram entregues à Fenaban em 24 de junho, enquanto a primeira rodada de negociações ocorreu em 2 de julho.
Segundo a representação sindical, os trabalhadores não pretendem aceitar propostas sem avanços considerados concretos nos principais pontos da campanha.
Greve pode afetar atendimento nas agências
Caso não haja acordo até quarta-feira (19), a paralisação de 24 horas deverá atingir agências bancárias de todo o país na quinta-feira.
O principal impacto para os clientes deve ocorrer no atendimento presencial. Com os trabalhadores em greve, agências poderão ter o funcionamento reduzido ou permanecer fechadas durante a paralisação.
Isso não significa, porém, que todas as operações bancárias deixarão de funcionar.
Os aplicativos e canais digitais dos bancos devem continuar disponíveis, permitindo operações como consultas de saldo e extrato, transferências e pagamentos. O Pix também continuará funcionando normalmente.











