O Ministério da Saúde ampliou temporariamente a estratégia de vacinação contra o sarampo em São Paulo diante da identificação de casos na capital paulista, em São Bernardo do Campo e em Guarulhos. A orientação prevê a aplicação de uma dose adicional da vacina para moradores dessas três cidades com idade entre 6 meses e 59 anos. A medida busca elevar rapidamente a cobertura vacinal e reforçar a proteção da população diante do risco de circulação do vírus.
Para os bebês de 6 a 11 meses, a orientação é pela chamada “dose zero”. A aplicação não substitui as duas doses previstas no calendário regular da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. A primeira dose de rotina é administrada aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Além disso, até 1º de setembro, moradores das três cidades entre 6 meses e 59 anos poderão receber uma dose de reforço independentemente de já terem sido vacinados anteriormente. A estratégia considera que a aplicação de doses adicionais não oferece riscos e pode contribuir para aumentar rapidamente a proteção coletiva.
Quem pode receber a vacina contra o sarampo
A vacina tríplice viral faz parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Fora da estratégia emergencial adotada nos três municípios paulistas, a vacinação também está disponível para pessoas de até 59 anos que não tenham sido imunizadas.
A população com 60 anos ou mais não foi incluída na vacinação indiscriminada porque, segundo a Secretaria de Saúde, grande parte desse grupo teve contato natural com o vírus durante períodos em que o sarampo circulava de forma endêmica no Brasil e, por isso, apresenta uma imunidade considerada duradoura.

Isso não significa, porém, que pessoas acima dos 60 anos nunca possam ser vacinadas. Em situações de bloqueio vacinal, por exemplo, a recomendação pode mudar. A vacinação pode ser indicada para maiores de 60 anos que tiveram contato com um caso suspeito ou confirmado de sarampo e não possuem registro de dose anterior, desde que não haja contraindicação.
A história da doença ajuda a explicar essa diferença. Até o início da década de 1990, o sarampo era endêmico no Brasil e provocava grandes ondas de transmissão a cada dois ou três anos. A vacina começou a ser utilizada no país no final dos anos 1960, mas sua aplicação ocorria de maneira descontínua.
Alerta para o avanço do sarampo nas Américas
A ampliação da vacinação ocorre em um cenário de preocupação epidemiológica no continente. Em alerta divulgado em 7 de agosto, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que as Américas registram, em 2026, o maior número de casos confirmados de sarampo dos últimos 22 anos.
A organização também classificou como muito alto o risco para a saúde pública diante da existência de surtos ativos e recomendou o fortalecimento da vacinação, da vigilância epidemiológica e da capacidade de resposta rápida aos casos.
No Brasil, a Campanha de Multivacinação do Ministério da Saúde segue até 1º de setembro. A iniciativa é direcionada a crianças e adolescentes menores de 15 anos e permite que as famílias levem a caderneta de vacinação às unidades de saúde para verificar possíveis doses atrasadas e atualizar a proteção, inclusive contra o sarampo.
O Brasil recebeu, em novembro de 2024, a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela OPAS. A manutenção desse status depende do controle da transmissão e da prevenção da reintrodução do vírus por casos importados.
Sintomas e transmissão da doença
O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode começar com febre alta, geralmente superior a 38,5°C, tosse, coriza e irritação ou vermelhidão nos olhos. Um dos sinais mais característicos é o aparecimento de manchas avermelhadas na pele, que normalmente surgem primeiro no rosto e depois avançam para outras partes do corpo.
A transmissão ocorre principalmente por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas. Por isso, diante de sintomas compatíveis com a doença, a recomendação é procurar atendimento em uma unidade de saúde e evitar contato com outras pessoas enquanto houver suspeita.
A infecção pode provocar complicações, como pneumonia, infecções de ouvido e inflamação no cérebro. Crianças pequenas e pessoas com baixa imunidade podem apresentar maior risco de desenvolver quadros graves.











