Um casal foi condenado pela Justiça da Espanha após manter os próprios filhos trancados dentro de casa por cerca de três anos e meio sob a justificativa de protegê-los da pandemia de Covid-19. O caso, revelado após uma investigação policial na cidade de Oviedo, no norte espanhol, chocou autoridades locais pelas condições degradantes em que as crianças viviam.
Os pais, identificados como Christian Steffen, de 54 anos, e Melissa Ann Steffen, de 49, receberam penas de dois anos e dez meses de prisão cada um. Eles foram considerados culpados por abandono familiar e danos psicológicos habituais contra os filhos, mas acabaram absolvidos da acusação mais grave de cárcere ilegal.
As vítimas são três crianças, um menino de 10 anos e gêmeos de 8 anos à época do resgate, que viviam isoladas desde dezembro de 2021, período posterior às últimas ondas da pandemia. Segundo as autoridades, os menores não frequentavam escola, não tinham contato social e permaneciam confinados em condições precárias dentro da residência.
A investigação começou após uma denúncia anônima feita por um vizinho em abril de 2025, relatando que nunca via as crianças saindo de casa. Policiais passaram então a monitorar o imóvel e constataram que o pai deixava o local apenas para recolher correspondências e compras entregues por delivery.
Crianças apresentavam sequelas físicas e emocionais
Quando a polícia entrou no imóvel, encontrou um cenário descrito como insalubre. Havia fraldas sujas, absorventes usados espalhados pela casa, móveis cobertos por fezes de animais e quartos improvisados para as crianças.
Segundo os promotores, os filhos do casal desenvolveram problemas severos de saúde física e mental. As crianças apresentavam dificuldades motoras, alterações no controle urinário e intestinal e deformações nas pernas causadas pelos anos dormindo em camas pequenas demais para o crescimento delas.
Os investigadores também localizaram desenhos perturbadores feitos pelas crianças nas paredes e berços da casa, incluindo figuras monstruosas desenhadas com tinta vermelha.
Após o resgate, os menores foram encaminhados aos serviços de proteção infantil da Espanha e passaram a receber acompanhamento psicológico especializado.
Defesa alegou “isolamento voluntário”
Durante o julgamento, realizado de forma fechada em Oviedo, a defesa do casal afirmou que não houve cárcere privado, mas sim um “isolamento voluntário” motivado pelo medo extremo da Covid-19.
Os advogados sustentaram que as crianças recebiam educação domiciliar e alimentação adequada. Ainda assim, a Justiça concluiu que os pais causaram danos psicológicos severos aos filhos ao privá-los de convivência social e acesso normal à infância.
Além da prisão, Christian e Melissa perderam temporariamente os direitos parentais por três anos e quatro meses. Eles também foram proibidos de manter contato com os filhos e deverão pagar indenização de 30 mil euros para cada criança.


