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China surpreende e deve aplicar tarifaço de 55% no Brasil

Por Pedro Silvini
12/05/2026
Em Geral
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Brasil e China

(Reprodução/Freepik)

A China informou que o Brasil já atingiu 50% da cota anual de exportação de carne bovina com tarifa reduzida, aumentando a preocupação do agronegócio brasileiro com a possibilidade de um tarifaço de 55% sobre os embarques ao país asiático ainda em 2026.

O alerta foi divulgado pelo Ministério do Comércio chinês no último domingo (10). Segundo o comunicado oficial, a marca foi alcançada no sábado (9), dentro do mecanismo de salvaguarda criado pelo governo chinês no fim de 2025 para proteger a produção pecuária local.

Pelas regras do Anúncio nº 87 de 2025, quando as importações brasileiras atingirem 100% da cota estipulada, a carne bovina do Brasil deixará de pagar a tarifa atual de 12% e passará a sofrer uma alíquota de 55% a partir do terceiro dia subsequente.

O limite anual estabelecido pela China é de 1,1 milhão de toneladas. A medida tem validade prevista de três anos e afeta diretamente o principal mercado da carne bovina brasileira.

carne
(Reprodução/Magnific)

Exportações aceleraram no início de 2026

A aproximação do teto tarifário foi impulsionada pelo aumento dos embarques brasileiros nos primeiros meses do ano. Dados do MDIC mostram que a China respondeu por 43,5% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil entre janeiro e abril de 2026.

Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume exportado ao mercado chinês avançou 28,8%.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, frigoríficos brasileiros aceleraram os envios justamente para tentar aproveitar o período antes da aplicação da sobretaxa.

A entidade informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre o avanço da utilização da cota, mas afirmou que o cenário já era esperado pelo setor. De acordo com a associação, a China provavelmente já recebeu mais de 60% da cota brasileira neste ano, considerando o chamado “transit time”, período médio de cerca de 45 dias para a carga chegar ao destino.

Setor prevê queda nas exportações

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirmou que a tarifa pode provocar uma queda de aproximadamente 10% nas exportações brasileiras de carne bovina em 2026 na comparação com o ano anterior.

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, sendo 1,7 milhão destinadas à China.

Segundo Perosa, a produção voltada especificamente ao mercado chinês pode se tornar economicamente inviável a partir de junho caso a nova tarifa entre em vigor.

“Não há mercado que substitua a China”, declarou o executivo ao comentar os possíveis impactos da medida para o setor frigorífico brasileiro.

Mercado interno pode absorver excedente

Com a possível redução dos embarques ao exterior, o setor projeta aumento da oferta de carne no mercado interno brasileiro. A expectativa é de que parte da produção destinada à China precise ser redirecionada ao consumo doméstico para evitar perdas maiores.

A estratégia de compensação internacional também enfrenta dificuldades. A abertura do mercado da Coreia do Sul para a carne bovina brasileira, esperada para este ano, não deve mais ocorrer em 2026.

Agora, a principal aposta do setor está no Japão, que segue em negociação com o Brasil para futura abertura comercial.

O mercado chinês se consolidou nos últimos anos como o maior comprador de carne bovina do Brasil. Atualmente, o país asiático possui quase o dobro da cota concedida à Argentina, segunda colocada entre os fornecedores beneficiados pelo sistema tarifário chinês.

A adoção da sobretaxa de 55% pode afetar diretamente frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia exportadora brasileira, em um momento de forte dependência do mercado asiático para o escoamento da produção nacional.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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