A presença de microplásticos na atmosfera não se limita a grandes cidades. Pesquisadores da Empa, com colegas da Eawag e da Agroscope, mediram a deposição dessas partículas em cinco locais suíços ao longo de um ano e encontraram valores surpreendentemente parecidos fora dos centros urbanos.
O estudo, apoiado pelo Escritório Federal do Meio Ambiente, estima que cerca de 219 toneladas métricas de microplásticos se depositam anualmente na Suíça em áreas abaixo de 2.000 metros de altitude, sendo aproximadamente 78 toneladas em terras agrícolas e 10 toneladas diretamente em corpos d’água.
Zurique registrou 881 partículas por metro quadrado por dia, mais que o dobro dos outros pontos, que ficaram entre 249 e 331. População densa, tráfego e produtos plásticos ao ar livre explicam o índice elevado da cidade.
O que intrigou a equipe de Christoph Hüglin foi a semelhança entre Dübendorf, Magadino, Payerne e o Monte Chaumont. Ele esperava níveis mais altos perto de áreas povoadas, mas a diferença não apareceu, o que indica que o problema alcança também regiões rurais e pouco habitadas.
Medições
As medições incluíram deposição úmida, quando chuva e neve lavam o ar, e deposição seca, quando as partículas caem por gravidade. Na Suíça, a via seca responde por cerca de 60% da massa depositada.
Para as águas suíças, a entrada atmosférica direta é estimada em 10 toneladas por ano, o dobro das cerca de 5 toneladas anuais vindas de estações de tratamento de esgoto, segundo estudo paralelo da Eawag.
A equipe usou o laboratório conjunto da Eawag, Empa e Agroscope e aplicou microespectroscopia infravermelha por imagem, com escaneamento automático de áreas aleatórias dos filtros. Isso permitiu identificar o material e o tipo de plástico de cada partícula, em vez de examinar apenas fragmentos suspeitos.
Os mais encontrados foram PET, com 31%, polietileno, com 26%, e polipropileno, com 21%. O alto teor de PET chama atenção porque ele está em garrafas de bebidas e em fibras de poliéster usadas em têxteis.











