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Cidade brasileira já perdeu cerca de 500 construções para o mar e moradores observam bairros desaparecerem lentamente

Por Pedro Silvini
24/08/2026
Em Geral
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cidade atafona praia

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

Moradores de Atafona, distrito de São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, convivem há décadas com uma paisagem que muda diante dos próprios olhos. O avanço do mar já destruiu cerca de 500 casas, estabelecimentos comerciais e outras construções, segundo estimativa da prefeitura, enquanto ruas, prédios públicos e imóveis que antes faziam parte da comunidade foram gradualmente tomados pela água.

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O processo de erosão ocorre há pelo menos sete décadas e transformou Atafona em um dos exemplos mais conhecidos dos efeitos da perda de território no litoral brasileiro. Em determinados pontos, a velocidade do recuo da faixa costeira chega a 7,8 metros por ano, de acordo com estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Além das construções desaparecidas, o avanço do oceano teria atingido mais de 2 mil pessoas, que precisaram deixar suas residências e, em alguns casos, buscar moradia em outras cidades ou estados.

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Praia de Atafona
(Reprodução/São João da Barra)

Rio Paraíba do Sul está no centro do problema

Atafona está localizada no delta do Rio Paraíba do Sul, que percorre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro antes de desembocar no Atlântico. É justamente a relação entre o rio e o oceano que ajuda a explicar parte do fenômeno.

Pesquisas indicam que a erosão já acontecia naturalmente antes da ocupação humana da região. Entretanto, intervenções realizadas ao longo da bacia hidrográfica contribuíram para acelerar o processo.

O Paraíba do Sul possui 943 barragens, estruturas que alteram a vazão do rio e reduzem a quantidade de sedimentos transportados até sua foz. Com menos areia chegando ao litoral, diminui também a capacidade natural de reposição do material retirado pelas ondas e correntes.

O desequilíbrio se torna ainda mais evidente durante períodos de ressaca e eventos extremos. O mar retira areia da costa em uma velocidade superior à capacidade de reposição, fazendo a linha costeira recuar progressivamente.

Construções próximas à praia agravaram a erosão

Outro fator apontado pelos estudos é a ocupação da faixa costeira. Construções foram erguidas sobre áreas de dunas e restingas e próximas demais da areia, interferindo no processo natural de movimentação e reposição dos sedimentos.

A consequência pode ser observada nas próprias ruínas de Atafona. Casas, clubes, ruas e prédios que foram atingidos pela erosão permanecem parcialmente visíveis, transformando a região em um registro físico do avanço do oceano.

Os primeiros registros conhecidos do fenômeno na região remontam a 1954, quando a erosão atingiu a Ilha da Convivência. Atualmente, a ilha está praticamente submersa, e seus antigos moradores foram obrigados a procurar outros locais para viver.

Na praia de Atafona, o processo ganhou força alguns anos depois e se intensificou principalmente a partir da década de 1970. Desde então, a perda de território não foi interrompida.

Mudanças climáticas aumentam a pressão sobre a região

Além das alterações provocadas pela atividade humana no rio e pela ocupação do litoral, a elevação do nível dos oceanos acrescenta uma nova pressão sobre a área.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado em 2024, incluiu Atafona entre as 31 localidades do mundo consideradas mais ameaçadas pela elevação dos oceanos. Projeções indicam que o nível do mar na região pode aumentar, em média, 21 centímetros até 2050.

O cenário preocupa porque a elevação do oceano ocorre simultaneamente à erosão já existente. Em alguns trechos, a média de recuo chega a aproximadamente 3 metros de terra por ano, enquanto pontos considerados críticos registram taxas muito superiores.

Pesquisadores alertam que, caso o processo continue sem mudanças significativas, parte da área urbana de Atafona poderá desaparecer em menos de três décadas.

Um problema que ultrapassa Atafona

O que ocorre no distrito fluminense não é um fenômeno isolado. A erosão costeira afeta diferentes regiões do litoral brasileiro e envolve fatores naturais, ocupação urbana, alterações nos rios e mudanças climáticas.

Ventos, ondas, correntes marítimas e ressacas fazem parte da dinâmica natural das praias. O problema surge quando a ocupação humana impede que os sistemas costeiros se recuperem ou quando intervenções em rios modificam o fluxo de sedimentos que chegaria ao oceano.

Estimativas apontam que a erosão já atinge cerca de 60% do litoral brasileiro. Apesar da dimensão do problema, o país ainda não conta com um plano nacional específico e abrangente para enfrentar o avanço da erosão costeira.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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