O fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico e pode se transformar em um dos mais intensos já observados desde 1950. A avaliação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que atribuiu 63% de probabilidade para que o episódio evolua para um chamado “Super El Niño”, capaz de provocar alterações significativas nos padrões climáticos globais e ampliar ainda mais o aquecimento do planeta.
Segundo o Centro de Previsão Climática da agência americana, as condições atuais indicam que este poderá ser um dos maiores eventos de El Niño registrados historicamente nas últimas décadas. O órgão também considera praticamente certa a continuidade do fenômeno ao longo do outono no hemisfério norte, com probabilidades muito elevadas de persistência durante o inverno, até fevereiro de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical, principalmente na faixa equatorial entre a Indonésia e a América Central. O fenômeno altera a circulação dos ventos e desencadeia efeitos em cascata sobre o clima em diversas partes do mundo.
As medições realizadas pela NOAA ao longo da primeira semana de junho confirmaram a instalação das condições típicas do El Niño. Em julho, a temperatura média na região monitorada já estava 0,7 grau Celsius acima da média histórica. O fenômeno é oficialmente caracterizado quando essa anomalia supera 0,5 grau.
A análise dos cientistas aponta ainda para uma chance de 63% de que o aquecimento ultrapasse dois graus Celsius acima da média entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027, configuração considerada compatível com um episódio de grande intensidade.

Brasil pode enfrentar secas no Norte e mais chuvas no Sul
No Brasil, os impactos mais prováveis incluem redução das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens, além de maior concentração de precipitações no Sul do país.
Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os estados que podem ser mais afetados. Situação semelhante foi registrada em 2024, quando enchentes históricas atingiram o território gaúcho, provocando destruição e milhares de desabrigados.
Pouco mais de dois anos após aquele desastre, a volta do fenômeno alerta a preocupação de meteorologistas e autoridades com possíveis eventos extremos.
Rede de monitoramento também gera preocupação
O governo do presidente Donald Trump já manifestou interesse em desativar parte das bóias instaladas tanto no Pacífico quanto no Atlântico, o que preocupa a comunidade científica internacional.
Além dos centros americanos, instituições europeias, japonesas e australianas também acompanham a evolução do fenômeno por meio de modelos considerados confiáveis.
A próxima atualização oficial da NOAA sobre o El Niño está prevista para ser divulgada em 9 de julho.




