O avanço acelerado do aquecimento das águas do Oceano Pacífico colocou centros meteorológicos internacionais em alerta para a possível formação de um “Super El Niño” entre 2026 e 2027. Nos últimos dias, análises divulgadas por agências climáticas e meteorologistas elevaram a preocupação com os impactos que o fenôeno pode provocar no Brasil e em diversas partes do planeta.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima atualmente mais de 80% de probabilidade de formação do El Niño nos próximos meses. Alguns modelos internacionais já trabalham com índices próximos de 98%, indicando um evento potencialmente forte, semelhante aos maiores episódios registrados nas últimas décadas.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, especialmente na região conhecida como Niño 3.4. Esse processo altera a circulação atmosférica global e interfere diretamente nos padrões de chuva, temperatura e formação de eventos extremos.
Segundo análises da MetSul Meteorologia, o episódio de 2026-2027 deve apresentar características diferentes do último grande evento registrado entre 2023 e 2024. Os especialistas afirmam que algumas regiões brasileiras podem experimentar efeitos opostos aos observados há três anos.

Sudeste e Centro-Oeste podem ter excesso de chuva
Meteorologistas apontam que estados do Sudeste e do Centro-Oeste podem enfrentar volumes de chuva acima da média nos próximos meses. Mato Grosso do Sul e São Paulo aparecem entre as áreas com maior possibilidade de precipitações intensas e persistentes.
O cenário contrasta com o comportamento clássico frequentemente associado ao El Niño, que costuma provocar estiagem em parte dessas regiões. Já o Sul do Brasil segue sob risco de novos episódios de chuva excessiva, enquanto o Norte e a Amazônia podem voltar a enfrentar períodos de seca severa e temperaturas elevadas.
Os primeiros sinais atmosféricos do fenôeno já começaram a aparecer. Entre eles estão o enfraquecimento gradual dos ventos alísios, correntes que normalmente empurram águas quentes em direção à Ásia, e o aumento contínuo da temperatura na faixa equatorial do Pacífico.
A NOAA informou que a região monitorada para identificação do El Niño atingiu anomalias de temperatura consideradas compatíveis com o início do fenôeno. A expectativa é de que o reconhecimento oficial ocorra entre junho e julho, quando o acoplamento entre oceano e atmosfera deverá estar consolidado.
Fenômeno preocupa pela intensidade e pelos impactos globais
Especialistas alertam que eventos fortes de El Niño costumam dominar outros fatores climáticos e aumentar a frequência de extremos meteorológicos, como ondas de calor, secas prolongadas, enchentes e perdas agrícolas.
O último episódio, entre 2023 e 2024, esteve associado à seca histórica na Amazônia, ao aumento das temperaturas em diversas regiões do mundo e às enchentes recordes no Rio Grande do Sul.
Além dos efeitos sobre o clima, cientistas monitoram impactos econômicos e sociais relacionados à agricultura, abastecimento de água e geração de energia. Culturas agrícolas sensíveis ao excesso ou à falta de chuva podem sofrer perdas significativas dependendo da intensidade do fenômeno.
A meteorologista Andrea Ramos afirmou que a velocidade do aquecimento atual chamou atenção dos principais centros de monitoramento climático. Segundo ela, mesmo sem definição total sobre a intensidade final do evento, os sinais observados no oceano já são considerados consistentes.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) também informou que o El Niño deverá assumir papel central no comportamento climático global entre o segundo semestre de 2026 e o verão de 2027.



