Cientistas internacionais emitiram um novo alerta climático nesta sexta-feira (8) após a confirmação de que o fenômeno climático El Niño pode retornar com força nos próximos meses e transformar 2027 no ano mais quente já registrado no planeta. O aviso foi divulgado pelo Copernicus Climate Change Service, principal observatório climático europeu.
Segundo a climatologista Samantha Burgess, há uma forte possibilidade de que 2027 supere 2024 no ranking global de temperaturas extremas. A especialista afirmou que o aquecimento dos oceanos segue acelerado e pode atingir um novo recorde histórico ainda em maio.
“O mais provável é que 2027 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registrado”, afirmou Burgess ao comentar os novos modelos climáticos.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar impactos climáticos em escala global. Dependendo da região, os efeitos incluem secas severas, ondas de calor, enchentes, tempestades intensas e mudanças bruscas nos padrões de chuva.
Fenômeno pode atingir intensidade rara
A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) encerrou oficialmente o monitoramento da La Niña e emitiu um alerta de observação para o El Niño, estimando 61% de chance de formação do fenômeno entre maio e julho de 2026.
Os meteorologistas também apontam cerca de 25% de probabilidade de ocorrência de um chamado “Super El Niño”, evento raro em que as temperaturas do Pacífico ficam pelo menos 2°C acima da média histórica. Desde 1950, episódios dessa magnitude ocorreram poucas vezes, incluindo os registrados em 1982-83, 1997-98 e 2015-16.

Especialistas destacam que fortes rajadas de vento observadas recentemente sobre o Pacífico e o rápido aquecimento das águas profundas do oceano criaram um cenário semelhante ao de outros eventos extremos do passado.
De acordo com pesquisadores, os chamados eventos “super El Niño” costumam provocar alterações severas na circulação atmosférica global, influenciando desde a temporada de furacões até a agricultura mundial.
Secas, enchentes e ondas de calor devem aumentar
Os impactos do fenômeno variam de acordo com cada região do planeta. Em países do Sudeste Asiático, como Indonésia, a tendência é de secas mais prolongadas. Já na costa oeste da América do Sul, especialmente no Peru, cientistas alertam para risco elevado de chuvas torrenciais e enchentes.
O fenômeno também costuma elevar a temperatura média global devido ao aumento do calor armazenado nos oceanos. Segundo os especialistas, março normalmente já é o mês mais quente dos mares em escala global, mas 2026 pode quebrar novamente esse padrão histórico.
Pesquisadores afirmam ainda que o sistema climático mundial já vem sofrendo forte pressão devido ao aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa. O retorno do El Niño, somado ao aquecimento contínuo dos oceanos, pode acelerar ainda mais eventos extremos nos próximos dois anos.




