Enquanto o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do Brasil, um novo sistema desenvolvido pela União Europeia avança para se tornar uma alternativa digital no mercado internacional. O chamado euro digital entrou em uma nova fase de testes e poderá começar a ser utilizado experimentalmente a partir de 2027, com previsão de lançamento ao público até 2029, caso receba aprovação definitiva dos órgãos legislativos europeus.
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou a seleção de 36 instituições financeiras e empresas de pagamentos para participar de um programa piloto em larga escala, previsto para começar no segundo semestre de 2027.
Durante um período de 12 meses, bancos tradicionais, bancos digitais e empresas do setor testarão toda a infraestrutura tecnológica da nova moeda digital, incluindo pagamentos entre pessoas, empresas e estabelecimentos comerciais.
Entre os participantes estão algumas das maiores instituições financeiras da Europa, que trabalharão ao lado do BCE e dos bancos centrais nacionais da zona do euro para avaliar o funcionamento da plataforma antes de qualquer decisão definitiva sobre sua emissão.
Segundo o integrante da diretoria executiva do BCE, Piero Cipollone, o grande interesse do mercado demonstra que o setor privado está disposto a colaborar na construção de um sistema de pagamentos considerado mais seguro, eficiente e inclusivo para os países europeus.
Quais são as diferenças em relação ao Pix?
Embora frequentemente sejam comparados, Pix e euro digital possuem propostas diferentes.
Criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, o Pix é um sistema de pagamentos instantâneos que permite transferências em poucos segundos entre contas bancárias por meio de chaves como CPF, e-mail, telefone ou QR Code.
Já o euro digital será uma versão eletrônica da moeda oficial da União Europeia, emitida diretamente pelo Banco Central Europeu. Além de funcionar pela internet, o projeto prevê a possibilidade de pagamentos offline, permitindo transações mesmo sem conexão em determinadas situações.
Outra diferença é o objetivo estratégico. Enquanto o Pix nasceu para ampliar a inclusão financeira e modernizar os pagamentos no Brasil, o euro digital também busca fortalecer a autonomia da Europa em relação aos grandes provedores internacionais de serviços financeiros.
Pix segue como referência mundial
Mesmo com o avanço de novos projetos internacionais, o Pix continua sendo uma das experiências mais bem-sucedidas entre os sistemas de pagamento instantâneo.
Dados do Banco Central indicam que o sistema responde por cerca de 54% de todas as transações de pagamento realizadas no Brasil e já é utilizado por aproximadamente 80% da população brasileira, o equivalente a milhões de operações diariamente.
O serviço é obrigatório para as principais instituições financeiras do país e permite pagamentos e transferências em poucos segundos, utilizando apenas uma chave cadastrada ou QR Code.
Aprovação depende da legislação europeia
Apesar do avanço técnico, o euro digital ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu, do Conselho da União Europeia e da Comissão Europeia.
O Banco Central Europeu afirma que só poderá emitir oficialmente a nova moeda digital após a criação da base legal que autorize sua circulação.
Pelo cronograma atual, a expectativa é de que a legislação seja concluída em 2027, permitindo a realização dos testes em larga escala e, posteriormente, uma possível disponibilização ao público a partir de 2029.








