Os Correios deram mais um passo no processo de reestruturação financeira que vem sendo implementado em todo o país. Entre o fim de maio e o início de junho, a estatal fechou 11 agências no Rio Grande do Sul, medida que integra um plano nacional voltado à redução de despesas e reorganização das operações diante do agravamento da situação financeira da empresa.
Segundo os Correios, as atividades das unidades desativadas foram absorvidas por outras agências da rede ainda durante o mês de junho. A empresa afirma que os serviços continuam funcionando normalmente e que não houve interrupção na entrega de cartas e encomendas.
A desativação das agências ocorre em meio a uma ampla reformulação da estatal. O objetivo é adequar a estrutura operacional à nova realidade financeira dos Correios, que enfrentam um dos momentos mais delicados de sua história.
De acordo com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, a deterioração das contas já era prevista dentro do planejamento elaborado pela administração da empresa. Apesar do cenário negativo, o governo acredita que a estatal poderá voltar a apresentar indicadores mais favoráveis após a conclusão do processo de reorganização.
No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Segundo a ministra, o resultado ficou inclusive abaixo das projeções internas traçadas pela companhia, embora a expectativa seja de que o ano termine com déficit elevado.
Empréstimo bilionário tenta reorganizar as finanças
Parte da estratégia para recuperar a saúde financeira da empresa envolve a utilização de um empréstimo de R$ 12 bilhões, que entrou no caixa dos Correios no fim de 2025.
Os recursos começaram a ser utilizados ao longo de 2026 e estão sendo direcionados principalmente para renegociações com credores e fornecedores. A expectativa é que a medida permita reduzir custos operacionais, reorganizar contratos e dar maior fôlego financeiro à estatal.
Novo PDV deve atingir funcionários
Além do fechamento de agências, os Correios também preparam uma nova edição do Programa de Desligamento Voluntário (PDV). A iniciativa surge após a primeira fase registrar adesão muito abaixo do esperado pela direção da empresa.
Na etapa inicial, pouco mais de 3 mil empregados aderiram ao programa, número distante da meta de aproximadamente 10 mil desligamentos estipulada pela companhia.
O novo PDV deverá focar principalmente trabalhadores vinculados a agências e centros logísticos que serão desativados durante a reestruturação. A intenção da estatal é reduzir cerca de 12% do quadro de pessoal já em 2026 como parte das medidas para equilibrar as contas.
Empresa aposta em recuperação após período de ajustes
Apesar dos resultados negativos e das medidas de contenção de despesas, o governo sustenta que a situação está inserida em um plano de recuperação de longo prazo.
A expectativa é que a combinação entre redução de custos, reorganização da estrutura operacional, renegociação de passivos e enxugamento do quadro de funcionários permita aos Correios recuperar gradualmente sua capacidade financeira nos próximos anos.




