A greve dos trabalhadores dos Correios entrou em uma nova etapa nesta segunda-feira (14), com paralisação por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento. O movimento, iniciado na sexta-feira (11), ocorre em todo o país após a categoria rejeitar, em assembleias, a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), o que pode provocar impactos no fluxo de entregas e serviços postais.
A Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) informou que 35 assembleias aprovaram a paralisação. O principal impasse nas negociações envolve o plano de saúde destinado aos funcionários, aposentados e dependentes.
A disputa chegou ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), acionado pelos Correios na sexta-feira (11). A estatal apresentou um pedido de dissídio coletivo e solicitou que a paralisação fosse considerada abusiva, além de pedir medidas urgentes para assegurar a continuidade dos serviços.
O tribunal atendeu parcialmente ao pedido e determinou que os sindicatos mantenham 80% dos trabalhadores em atividade. A exigência vale para unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e também para setores administrativos ou de suporte considerados indispensáveis à continuidade da cadeia postal.
A decisão estabelece ainda que o percentual precisa ser cumprido individualmente em cada unidade e, quando necessário, em cada turno e atividade essencial. Dessa forma, trabalhadores excedentes em uma unidade, turno ou função não podem ser utilizados para compensar a falta de pessoal em outro local.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30. Até essa data, ainda existe a possibilidade de que empresa e trabalhadores cheguem a um acordo.

Correios adotam medidas para tentar preservar entregas
Diante da paralisação, os Correios afirmam ter colocado em funcionamento o Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os efeitos da greve sobre a operação. Entre as ações estão o deslocamento de empregados de áreas administrativas para auxiliar nos serviços operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões voltados à manutenção do fluxo logístico.
A empresa também informou que suas agências continuam abertas ao público. Mesmo com a determinação judicial de manutenção de parte do efetivo, entretanto, a greve pode afetar o ritmo de tratamento, transporte e distribuição de encomendas enquanto durar a mobilização.
Os Correios afirmam reconhecer o direito de greve, mas ressaltam que a paralisação acontece em um período de forte pressão sobre as contas da empresa. Segundo a estatal, a estratégia atual tem como prioridades a redução de despesas, o aumento da eficiência, a modernização da estrutura operacional e a criação de novas fontes de receita.
Crise financeira aumenta pressão sobre a estatal
A greve ocorre em meio a uma situação financeira delicada. Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,4 bilhões apenas no segundo trimestre e formalizaram um pedido de garantia do Tesouro Nacional para viabilizar a contratação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados.
O financiamento faz parte do plano de reestruturação financeira da empresa, que busca reforçar o caixa e enfrentar as dificuldades acumuladas pela estatal.
Nas negociações do acordo coletivo, os Correios sustentam que a proposta apresentada preservava 78 das 80 cláusulas atualmente existentes. A empresa também afirma ter previsto a aplicação do INPC aos salários e benefícios, além da manutenção da assistência à saúde.











