Uma montanha isolava Gehlaur, no estado de Bihar, na Índia, e obrigava os moradores a contornar a formação rochosa para alcançar mercados, escolas e hospitais. A distância que poderia ser curta no mapa exigia uma caminhada de aproximadamente 55 quilômetros. Diante disso, Dashrath Manjhi decidiu enfrentar a rocha sozinho e trabalhou nela por 22 anos.
De 1960 a 1982, o trabalhador indiano usou apenas um martelo e um cinzel para quebrar a pedra, transportar os fragmentos e ampliar, aos poucos, um corte que atravessasse a elevação.
Sem máquinas, equipe ou financiamento do governo, Manjhi repetiu o mesmo gesto todos os dias, apesar do calor intenso de Bihar e do desgaste físico que o trabalho impunha ao seu corpo.
O corte feito centímetro por centímetro
A passagem não nasceu de um único esforço, e golpe a golpe, dia após dia, Manjhi abria pequenas rachaduras na rocha, removia os fragmentos soltos e limpava o caminho. No dia seguinte, repetia o processo, e a sequência se repetiu por milhares de dias, até que a abertura atravessasse a montanha.
A passagem alcança aproximadamente 9 metros de largura, com trechos que chegam a 7 metros de altura. O Departamento de Turismo de Bihar registra essas dimensões, que dão a medida de um trabalho feito sem máquinas, e a obra se estende por cerca de 110 metros.
Como a passagem transformou a vida da aldeia
Quando a abertura atravessou a montanha, o trajeto entre as localidades de Atri e Wazirganj caiu de aproximadamente 55 quilômetros para cerca de 15 quilômetros.
Essa redução mudou o cotidiano da comunidade, e a ida ao mercado passou a levar menos tempo. Estudantes ganharam um percurso mais direto para chegar às aulas, e famílias inteiras deixaram de repetir a volta cansativa que até então era necessária para qualquer deslocamento local.
Comerciantes passaram a chegar aos pontos de venda em menos tempo, e moradores puderam alcançar outros povoados sem depender de uma longa volta ao redor da elevação. A passagem criou uma rota sem exigir uma grande obra pública e atendeu a uma necessidade antiga dos moradores de Gehlaur que até então ninguém havia enfrentado.
Do anonimato ao reconhecimento mundial
Conhecido como Homem da Montanha, Manjhi transformou um problema coletivo com um esforço individual. O trabalho de golpear a mesma pedra por 22 anos tornou-se uma referência de como uma única pessoa pode mudar uma comunidade inteira.
A trajetória de Manjhi ultrapassou os limites de Gehlaur por meio do cinema. O longa-metragem “Manjhi – The Mountain Man” levou a história às telas em 2015 e a apresentou a um público global, enquanto os moradores de Bihar já conheciam a passagem desde a conclusão da obra.
A passagem que ele abriu continua sendo usada até hoje por quem precisa se deslocar na região. Ela se tornou parte da identidade local e da rotina de Gehlaur.











