Duas pessoas nascidas no mesmo dia podem ter idades moleculares completamente diferentes. Embora a maioria envelheça seguindo padrões genéticos semelhantes, alguns indivíduos tomam caminhos opostos: seus genes e moléculas mudam de formas únicas, que não cabem em uma fórmula única.
Um estudo publicado na revista Science em 3 de setembro deste ano acompanhou 335 mulheres ao longo de oito anos. Com intervalo mediano de seis anos entre a primeira e a última visita, para entender como o envelhecimento funciona além do calendário. Os pesquisadores coletaram amostras de sangue e mediram a atividade gênica e os níveis de metabólitos — pequenas moléculas produzidas durante processos químicos do corpo — em múltiplas visitas clínicas entre 2009 e 2017.
O que muda no corpo de forma individual
Dos mais de 16 mil genes e 915 metabólitos analisados, 5.061 genes e 181 metabólitos mudaram significativamente ao longo do tempo. A maioria — 5.036 genes — apresentou aumento ou queda consistente em todo o grupo, e o mesmo ocorreu com 45 metabólitos.
Mas o padrão não era universal, e mesmo quando a maior parte dos genes se movia em uma direção, havia grupos inteiros de pessoas seguindo o caminho oposto. Entre 136 metabólitos diferentes, os níveis variavam de pessoa para pessoa, sem seguir a mesma trajetória.
A genética, as exposições ambientais e os ritmos biológicos diários ajudam a explicar por que alguns corpos envelhecem de formas tão diferentes. Gêmeos idênticos mostraram padrões de expressão gênica mais similares que gêmeos fraternos, confirmando o forte papel da genética. Cerca de 40% dos metabólitos variaram com o relógio biológico de 24 horas, enquanto aproximadamente um quarto dos genes e metabólitos apresentou flutuações sazonais, incluindo mudanças ligadas à produção de energia e à atividade imunológica.
Por que um único número não consegue medir a idade real
Cientistas desenvolveram relógios biológicos que usam marcadores moleculares, como etiquetas químicas no DNA, para estimar a idade biológica — quanto “mais velho” o corpo é em relação à idade no calendário. O problema é que esses números tratam o envelhecimento como se fosse um valor fixo, quando na verdade é um conjunto de trajetórias moleculares que mudam constantemente.
Julia El-Sayed Moustafa, pesquisadora de genômica computacional do King’s College London, disse ao Live Science que o envelhecimento molecular é dinâmico e único para cada pessoa. Segundo ela, mesmo que duas pessoas tivessem nascido no mesmo dia, a atividade de alguns de seus genes poderia aumentar enquanto a dos mesmos genes da outra pessoa poderia diminuir.
Nenhum número único consegue capturar os muitos sistemas que envelhecem em velocidades diferentes. No futuro, as avaliações de envelhecimento poderiam combinar índices amplos de idade biológica com medidas mais personalizadas do envelhecimento imunológico, metabólico, cerebral e cardiovascular.
Por que estudos anteriores perdiam esse detalhe
A maioria dos estudos sobre envelhecimento funciona como uma fotografia: compara pessoas diferentes em um único momento. Este trabalho se diferenciou por fazer múltiplas medições da mesma pessoa ao longo dos anos, o que permitiu acompanhar mudanças na atividade gênica e nos níveis de metabólitos.
Muitos dos genes que mudaram estavam envolvidos em caminhos ligados à função imunológica, ao metabolismo e a condições relacionadas à idade, incluindo doenças cardíacas e transtornos neurodegenerativos. A capacidade de rastrear essas mudanças ao longo do tempo, em vez de apenas compará-las em um ponto fixo, revelou como o envelhecimento varia de pessoa para pessoa.











