Uma transformação radical na relação entre seres humanos, trabalho e tecnologia pode estar mais próxima do que parece, segundo Elon Musk. O empresário prevê que cerca de 1 bilhão de robôs humanoides estarão em operação no mundo até 2036, em um cenário no qual máquinas e sistemas de inteligência artificial assumiriam uma parcela cada vez maior das atividades atualmente realizadas por pessoas.
A projeção foi apresentada durante a cúpula do G20, em Asheville, nos Estados Unidos, onde Musk também discutiu o avanço acelerado da inteligência artificial, seus possíveis efeitos econômicos e um problema que pode limitar a própria expansão da tecnologia: a disponibilidade de energia.
A perspectiva defendida pelo empresário é de uma sociedade marcada por uma capacidade produtiva sem precedentes. Com robôs capazes de executar tarefas físicas e sistemas de IA assumindo funções intelectuais, bens e serviços poderiam se tornar muito mais baratos e abundantes.
Na visão de Musk, a automação chegaria a um ponto em que trabalhar deixaria de ser uma necessidade para grande parte da população. O emprego poderia se aproximar de uma atividade opcional, realizada mais por interesse pessoal do que pela necessidade de garantir a própria sobrevivência.

A comparação feita pelo empresário é com o cultivo de alimentos. Mesmo que uma pessoa consiga comprar vegetais prontos em um supermercado, ela ainda pode escolher plantar seus próprios tomates por prazer. O mesmo poderia acontecer com o trabalho em um futuro dominado por máquinas: as pessoas continuariam trabalhando, mas porque desejariam fazê-lo.
Essa transformação também atingiria a própria função do dinheiro. Se robôs fossem capazes de produzir alimentos, moradias, transporte e entretenimento em quantidade superior à demanda humana, a necessidade de dinheiro poderia ser profundamente alterada.
Isso, porém, não significa necessariamente o fim da escassez. Mesmo em uma economia com produção abundante, recursos finitos, propriedade, preferências diferentes entre consumidores e incertezas continuariam existindo.
Tesla já trabalha em robôs humanoides
A previsão de Musk está diretamente relacionada ao desenvolvimento do Optimus, projeto de robô humanoide da Tesla. A proposta é criar máquinas capazes de executar uma ampla variedade de tarefas físicas, em vez de equipamentos limitados a funções específicas.
O avanço da robótica seria acompanhado pelo desenvolvimento da inteligência artificial. Musk avalia que a tecnologia já está próxima de um estágio em que sistemas de IA poderão apresentar capacidades extremamente superiores às atuais, inclusive em atividades complexas.
Para ilustrar esse avanço, o empresário comparou o potencial futuro da IA na programação ao Stockfish, conhecido motor de xadrez que consegue superar jogadores humanos de alto nível.
Inteligência artificial pode movimentar trilhões
As previsões de Musk também envolvem uma mudança expressiva na economia mundial. Segundo sua estimativa, o avanço da inteligência artificial poderia ampliar o tamanho da economia global em 20% a 30%, o equivalente a aproximadamente US$ 20 trilhões a US$ 30 trilhões adicionais por ano em produção econômica.
O cenário ajudaria a explicar por que o empresário considera possível uma era de “abundância”. A combinação entre IA, robótica e produção automatizada poderia reduzir significativamente o custo de diversos bens e serviços.
Musk também prevê que esse ambiente poderia provocar uma inversão em relação ao principal problema econômico enfrentado atualmente. Em vez da inflação, a deflação poderia se tornar uma preocupação maior.
A mudança ocorreria justamente porque máquinas mais eficientes produziriam cada vez mais enquanto os custos de fabricação e prestação de serviços cairiam.
Energia pode ser o grande obstáculo
Existe, entretanto, um problema estrutural capaz de dificultar esse avanço: a energia necessária para alimentar a expansão da inteligência artificial.
Musk alertou para uma “crise de energia bastante severa”. Segundo os números apresentados por ele, a produção de chips destinados à IA cresce atualmente entre 40% e 50% ao ano, enquanto a oferta de energia fora da China avança em ritmo bem menor, entre 10% e 20%.
A diferença entre os dois ritmos pode criar um gargalo justamente no momento em que empresas e governos ampliam investimentos em centros de processamento, chips e sistemas de inteligência artificial.
Outro ponto levantado por Musk é o desenvolvimento de uma IA superinteligente. Na avaliação do empresário, a evolução da tecnologia pode ter chegado a um estágio em que tentar interrompê-la seria pouco realista. Por isso, a prioridade deveria ser garantir que sistemas cada vez mais poderosos sejam desenvolvidos com mecanismos de segurança capazes de reduzir seus possíveis efeitos negativos.











