O Magazine Luiza encerrou o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões, aprofundando as perdas em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto isso, a Havan, comandada pelo empresário Luciano Hang, segue em ritmo de expansão e mantém o plano de inaugurar 15 novas lojas até o fim do ano, sustentada por uma posição financeira considerada sólida.
Os resultados mostram momentos distintos para duas das maiores redes varejistas do país. De um lado, o Magalu enfrenta queda nas vendas e piora dos indicadores financeiros. Do outro, a Havan amplia sua presença no mercado e continua investindo na abertura de unidades.
O prejuízo líquido do Magazine Luiza passou de R$ 24,4 milhões no segundo trimestre de 2025 para R$ 72,5 milhões no mesmo período deste ano, representando uma perda quase três vezes maior e o pior desempenho trimestral da companhia na comparação anual.
O resultado ajustado também apresentou deterioração. Após registrar lucro líquido ajustado de R$ 1,8 milhão um ano antes, a empresa contabilizou prejuízo ajustado de R$ 50,4 milhões entre abril e junho de 2026.
A receita líquida somou R$ 8,9 bilhões, queda de 2,6% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Já as vendas totais, considerando lojas físicas, e-commerce e marketplace, atingiram R$ 14,5 bilhões, recuo de 5,1%.
Lojas físicas crescem, mas vendas online recuam
Apesar do resultado negativo, a companhia registrou crescimento de 10,3% nas vendas das lojas físicas.
Por outro lado, o comércio eletrônico apresentou retração de 11,9%. Segundo o Magazine Luiza, a queda reflete a estratégia de preservar a rentabilidade diante do aumento dos custos internacionais de componentes eletrônicos, especialmente chips de memória, que elevaram os preços de produtos como computadores, celulares e equipamentos de informática.
A empresa afirmou que optou por repassar parte desses custos ao consumidor, priorizando a manutenção das margens em vez do aumento do volume de vendas.
Havan mantém expansão e reforça posição financeira
Enquanto o Magazine Luiza enfrenta um trimestre de perdas, a Havan segue ampliando sua operação.
A empresa encerrou 2025 com receita líquida de R$ 13,7 bilhões, crescimento de 17,1%, enquanto o EBITDA alcançou R$ 3 bilhões, alta de 7,9%.

A margem EBITDA caiu de forma moderada para 21,9%, reflexo do aumento das despesas comerciais e das mudanças no mix de vendas, mas a companhia manteve uma estrutura financeira confortável.
Segundo análise do Banco Safra, a Havan terminou o ano com R$ 1,1 bilhão em caixa e R$ 546 milhões em dívida bruta, resultando em uma posição de caixa líquido de aproximadamente R$ 580 milhões e baixa alavancagem financeira.
Luciano Hang planeja abrir 15 novas lojas
A expansão continua sendo um dos principais focos da Havan em 2026.
A companhia anunciou investimentos de até R$ 1,2 bilhão para inaugurar 15 novas megalojas, encerrando o ano com cerca de 200 unidades espalhadas pelo país.
Na avaliação do Banco Safra, a empresa possui capacidade para financiar esse ciclo de crescimento utilizando sua própria geração de caixa, sem necessidade de elevar significativamente o endividamento.
Em 2025, a Havan registrou faturamento de R$ 18,5 bilhões, crescimento de 16,1% sobre o ano anterior, desempenho superior ao de outras grandes varejistas do setor.
Segundo o fundador Luciano Hang, boa parte desse avanço veio do aumento nas vendas das lojas já existentes, enquanto o fluxo de consumidores alcançou cerca de 190 milhões de visitas ao longo do ano. O tíquete médio também cresceu 8,3%, chegando a R$ 275.











