Uma oferta de emprego publicada no Chile ganhou repercussão nas redes sociais ao oferecer um salário líquido de 800 mil pesos chilenos, equivalente a aproximadamente R$ 4.390, para uma profissional que atuaria como acompanhante familiar em uma residência de Santiago. O caso chamou a atenção também pelo valor, superior ao salário mínimo brasileiro de R$ 1.621, mas principalmente pelas exigências previstas na vaga.
O anúncio, que posteriormente foi retirado do ar, buscava uma psicóloga formada para trabalhar em regime de residência no local, prestando acompanhamento a uma adolescente e auxiliando na rotina da família.
Embora a principal função fosse oferecer acompanhamento emocional à adolescente e atuar em conjunto com outros profissionais, a descrição da vaga também incluía diversas tarefas domésticas.
Entre elas estavam preparar refeições, fazer compras em supermercados, organizar e limpar um apartamento de aproximadamente 50 metros quadrados, lavar roupas e colaborar com outras atividades da rotina da casa.
Além da formação em Psicologia, a candidata deveria ter experiência ou interesse em trabalhar com adolescentes, conhecimentos em alimentação saudável, treinamento físico, culinária, primeiros socorros e disponibilidade para morar na residência.
O anúncio esclarecia que o acompanhamento prestado não substituiria o atendimento psicológico, médico ou psiquiátrico realizado por especialistas externos e informava que a profissional teria horários de descanso e folgas.
Redes sociais criticaram perfil da vaga
A publicação rapidamente viralizou e recebeu críticas de internautas, que consideraram incompatível exigir formação universitária para um cargo que reunia funções de psicóloga e empregada doméstica.
Nas redes sociais, muitos usuários classificaram a oportunidade como uma busca por uma “babá com diploma”, enquanto outros avaliaram que o salário oferecido era insuficiente diante da quantidade de responsabilidades exigidas.
O episódio reacendeu o debate sobre as condições de trabalho no setor doméstico e sobre a valorização de profissionais especializados no Chile.
Mercado de babás especializadas cresce no Brasil
Enquanto isso, o mercado brasileiro também passa por mudanças. As chamadas babás de luxo vêm conquistando espaço em residências de alto padrão, desempenhando funções que vão além dos cuidados básicos com as crianças.
Essas profissionais podem acompanhar o desenvolvimento infantil, incentivar atividades esportivas, artísticas e educacionais, além de colaborar com questões relacionadas ao bem-estar e à saúde.
A remuneração acompanha esse nível de especialização. Segundo especialistas do setor, os salários variam entre R$ 15 mil e R$ 20 mil por mês no Brasil e podem incluir benefícios como moradia, viagens e bônus. Em países como Suíça e Emirados Árabes Unidos, os vencimentos podem chegar ao equivalente a R$ 50 mil mensais.
Formalização avança no país
Apesar da valorização das profissionais especializadas, a realidade da maior parte da categoria ainda é diferente.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que a remuneração média das babás no Brasil foi de R$ 2.098,67 em 2025, com 124.753 vínculos formais registrados.
Levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também aponta crescimento de 73% nas contratações formais entre agosto de 2024 e julho de 2025, indicando um avanço na formalização da profissão, embora boa parte das trabalhadoras ainda atue na informalidade.







