Os brasileiros encontraram algum alívio nos preços dos alimentos em agosto, mas a queda registrada em diversos legumes não se estendeu a todos os produtos presentes na rotina das famílias. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, recuou 0,32% no mês, enquanto itens como leite longa vida e carne bovina ficaram mais caros.
O resultado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11) representa a maior deflação mensal do indicador desde agosto de 2022, quando o índice havia registrado queda de 0,36%. O movimento também reforça a desaceleração observada nos meses anteriores: em julho, o IPCA havia avançado 0,07%, depois de alta de 0,16% em junho.
A retração dos preços, porém, ocorreu de maneira desigual. Enquanto parte dos alimentos in natura ficou significativamente mais barata, produtos de consumo frequente continuaram pressionando o orçamento doméstico.
O grupo Alimentação e bebidas apresentou deflação de 0,34% em agosto, influenciado principalmente pela queda de 0,61% nos preços dos alimentos consumidos dentro de casa. Entre os produtos que mais contribuíram para o alívio estão a batata-inglesa, que caiu 19,89%, a cenoura, com redução de 11,22%, a cebola, que recuou 11,07%, e o tomate, com baixa de 10,94%.
Também ficaram mais baratos o ovo de galinha, que teve redução de 4,15%, e o café moído, cujo preço caiu 1,86%.
A tendência também apareceu em um levantamento específico realizado no mercado paulista. O Índice de Preços de Supermercados (IPS), elaborado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), apontou queda média de 17,31% na cesta de legumes em julho.
Leite e carne seguem na contramão
Apesar do movimento favorável em boa parte dos alimentos frescos, o consumidor não encontrou o mesmo alívio em todos os produtos. O leite longa vida e a carne bovina registraram aumento de preços, contrastando com a deflação observada em outros itens da alimentação.
A diferença mostra que uma inflação negativa não significa que todos os produtos estejam ficando mais baratos. O índice é calculado a partir de uma cesta ampla de bens e serviços, e os preços podem apresentar comportamentos completamente diferentes dentro de um mesmo grupo.
No caso dos alimentos, portanto, a queda dos legumes pode ajudar a reduzir parte das despesas no supermercado, mas a alta de produtos importantes para a alimentação cotidiana mantém pressão sobre o orçamento das famílias.
Transportes também ajudaram a derrubar a inflação
Além da alimentação, o grupo Transportes teve papel importante no resultado de agosto, com deflação de 0,86%. O principal destaque foi a queda de 13,17% nas passagens aéreas.
Os combustíveis também ficaram mais baratos, com retração média de 0,91%. O etanol caiu 3,95%, o óleo diesel recuou 0,80% e a gasolina teve redução de 0,59%. O gás veicular, entretanto, seguiu na direção oposta e subiu 2,62%.
Com a combinação dos recuos registrados em alimentação e transportes, o IPCA terminou agosto em -0,32%, resultado que representa uma mudança significativa em relação às altas observadas no primeiro semestre.
Consumidor busca alimentos mais saudáveis
A queda dos preços de legumes também pode favorecer famílias que procuram ampliar o consumo de alimentos frescos. Segundo o levantamento da APAS e da FIPE, 64% das pessoas que mudaram os hábitos alimentares no último ano passaram a priorizar produtos considerados mais saudáveis.
Com legumes, verduras e outros alimentos in natura mais acessíveis em determinados períodos, refeições com maior variedade podem pesar menos no orçamento. A expectativa, entretanto, é de manutenção dos preços no curto prazo, sem garantia de que o cenário permaneça durante os próximos meses.











