Os brasileiros devem se preparar para um período de maior instabilidade climática nos próximos meses diante da possibilidade de formação de um El Niño de intensidade muito forte. A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) atualizou nesta quinta-feira (13) previsão e passou a estimar em 95% a chance de o fenômeno atingir essa intensidade entre outubro e dezembro de 2026.
A nova projeção representa uma elevação significativa em relação ao boletim anterior, divulgado em 9 de julho, quando a agência calculava em 81% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte no mesmo período. Para o intervalo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a chance estimada atualmente é de 90%.
O cenário preocupa principalmente pela possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil. Os efeitos, porém, não devem necessariamente terminar com o fim de 2026. Segundo projeções do Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI), da Universidade Columbia, o fenômeno deve continuar atuando com força pelo menos até o fim do primeiro trimestre de 2027.

Fenômeno já provoca mudanças no clima brasileiro
Os sinais de alteração no padrão climático já aparecem durante o inverno. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas registradas no último fim de semana atingiram aproximadamente 60 mil pessoas em 218 municípios, segundo o Centro de Operações da Defesa Civil estadual.
O órgão informou ainda que 91,6% dos desabrigados, totalizando 488 pessoas no último boletim citado, estavam concentrados no Vale do Taquari, na região central do estado.
A previsão para o segundo semestre indica um cenário de desequilíbrio climático. Entre julho e setembro, a expectativa é de volumes de chuva acima da média na Região Sul, enquanto o Centro-Norte do país pode registrar precipitações abaixo do padrão. Ao mesmo tempo, temperaturas superiores à média podem favorecer a ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais.
Para acompanhar a evolução do fenômeno, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) vem divulgando o Painel El Niño 2026-2027, elaborado em conjunto com instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Serviço Geológico do Brasil e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Pico pode acontecer entre outubro e dezembro
Um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o El Niño é o índice Niño 3.4, região do Oceano Pacífico considerada central para o monitoramento do fenômeno. O índice alcançou uma média de 2,1°C, classificada como uma “anomalia absoluta”.
Diante desse cenário, o IRI projeta que o pico do atual episódio deverá ocorrer entre outubro e dezembro de 2026. A previsão, entretanto, não significa que o fenômeno desaparecerá imediatamente após esse período.
A expectativa é de que o El Niño continue apresentando efeitos relevantes até pelo menos o primeiro trimestre de 2027. Depois disso, ainda podem permanecer impactos residuais sobre as condições climáticas nos trimestres seguintes.











