A inteligência artificial ganhou espaço na rotina de estudos dos brasileiros e já é utilizada em algum nível por 78% dos estudantes. Os dados mostram que a tecnologia deixou de ser apenas uma ferramenta complementar e passou a ocupar uma posição importante na busca por informações, resolução de atividades e preparação acadêmica em 2026. Entre os usuários, 15% afirmam recorrer à IA sempre que estudam, enquanto 34% começam suas pesquisas diretamente por ferramentas desse tipo.
O crescimento, porém, também levanta questionamentos sobre a qualidade do aprendizado. Embora os sistemas de inteligência artificial consigam reunir e explicar informações rapidamente, eles estão sujeitos a erros e às chamadas “alucinações”, quando apresentam respostas incorretas ou informações inventadas como se fossem verdadeiras.
Segundo dados pelo portal Tecnoblog, 52% dos estudantes consideram que a confiabilidade do conteúdo produzido por essas ferramentas deveria ser maior. Além disso, 31,76% afirmam conferir as respostas recebidas em outras fontes antes de utilizá-las.
IA começa a substituir buscas tradicionais
A mudança de comportamento aparece principalmente na forma como os estudantes iniciam uma pesquisa. Em vez de recorrer diretamente a livros, sites ou plataformas de vídeo, parte deles passou a fazer uma pergunta à inteligência artificial e utilizar a resposta como ponto de partida para os estudos.
Entre os estudantes brasileiros que utilizam IA, 34% dizem começar suas pesquisas por essas ferramentas. Outros 15% afirmam recorrer à tecnologia sempre que vão estudar, mostrando que, para uma parcela dos alunos, a inteligência artificial já está incorporada à rotina acadêmica.
A praticidade é um dos fatores que ajudam a explicar a adoção. Sistemas de IA conseguem responder perguntas, resumir conteúdos, explicar conceitos e auxiliar na resolução de exercícios em poucos segundos.
O problema surge quando a velocidade da resposta substitui a verificação das informações ou o próprio processo de aprendizagem.
Estudo aponta possível perda de aprendizagem
Uma pesquisa recente acrescenta uma preocupação ao avanço da tecnologia entre estudantes. O estudo “The Generative AI Learning Penalty”, divulgado pelo Centro de Pesquisa de Política Econômica (CEPR), analisou padrões de utilização de inteligência artificial e resultados acadêmicos de mais de 25 mil estudantes chineses entre 12 e 18 anos.
Os pesquisadores acompanharam o uso espontâneo de ferramentas de IA pelos adolescentes, especialmente para a realização de tarefas escolares, e compararam esse comportamento com o desempenho obtido posteriormente em exames.
A conclusão apresentada é que o uso da inteligência artificial pode prejudicar a aprendizagem e reduzir o desempenho dos estudantes em avaliações. A hipótese levantada pelo trabalho é que depender da tecnologia para solucionar atividades pode diminuir o esforço cognitivo necessário para compreender e dominar determinado conteúdo.
O estudo, entretanto, ainda precisa ser analisado com cautela. O artigo foi divulgado pelo CEPR, organização que reúne pesquisadores e economistas europeus, mas ainda não foi publicado em uma revista científica com revisão por pares.
Confiabilidade vira preocupação entre estudantes
A própria percepção dos estudantes indica que a expansão da IA não ocorre sem ressalvas. Mais da metade dos usuários, 52%, considera que a confiabilidade das informações fornecidas pelas ferramentas deveria ser maior.
A preocupação está relacionada à capacidade dos modelos de gerar respostas convincentes mesmo quando os dados apresentados estão incorretos. Para quem utiliza a tecnologia como fonte de pesquisa, isso pode transformar um erro do sistema em uma informação equivocada incorporada ao processo de estudo.
Por isso, os 31,76% que afirmam verificar as respostas em outras fontes representam uma parcela que adota uma etapa adicional de checagem antes de utilizar o conteúdo.











