As tradicionais etiquetas de papel utilizadas nas prateleiras dos supermercados estão sendo gradualmente substituídas por etiquetas eletrônicas conectadas a sistemas de inteligência artificial (IA). A tecnologia permite que os preços sejam alterados em poucos segundos, sem a necessidade de troca manual, tornando a gestão mais rápida e baseada em dados em tempo real.
A mudança já faz parte da estratégia de grandes redes varejistas internacionais e começa a ganhar espaço também no Brasil. Apesar do avanço, a substituição ainda ocorre de forma gradual e não significa que todas as lojas tenham abandonado as etiquetas convencionais.
Os sistemas de precificação inteligente utilizam algoritmos capazes de analisar simultaneamente milhares de informações para definir o valor mais adequado de cada produto.
Entre as variáveis consideradas estão o nível de estoque, o volume de clientes na loja, o giro das mercadorias, a proximidade da data de vencimento dos alimentos, os preços praticados pela concorrência e até fatores externos, como clima e sazonalidade.
Na prática, isso permite que determinados itens tenham o preço ajustado automaticamente conforme as condições de venda. Um alimento perecível próximo ao vencimento, por exemplo, pode receber um desconto para aumentar a chance de comercialização e reduzir o desperdício.
Além da precificação, a inteligência artificial também vem sendo utilizada para prever demanda, otimizar estoques, reduzir a falta de produtos nas gôndolas e personalizar estratégias promocionais.
Etiquetas eletrônicas substituem processo manual
As chamadas Electronic Shelf Labels (ESL), ou etiquetas eletrônicas de prateleira, substituem os tradicionais papéis por pequenos painéis digitais conectados ao sistema central da loja.
Com isso, alterações de preços podem ser realizadas simultaneamente em milhares de produtos, eliminando o trabalho manual de impressão e troca das etiquetas e reduzindo erros operacionais.
Antes da chegada dessa tecnologia, qualquer reajuste exigia que funcionários imprimissem novas etiquetas e percorressem toda a loja realizando a substituição produto por produto.
Tecnologia avança em supermercados brasileiros
O sistema já é utilizado por grandes redes internacionais, como Walmart, Kroger, Whole Foods, Carrefour e Tesco.
Nos Estados Unidos, o Walmart anunciou a expansão das etiquetas eletrônicas para aproximadamente 2.300 lojas, abrangendo mais de 120 mil produtos por unidade.
No Brasil, a adoção também cresce. Empresas fornecedoras da tecnologia relatam aumento da procura por parte dos supermercados. Segundo dados do setor, 85% dos contratos firmados neste ano para o varejo envolveram a implantação de etiquetas eletrônicas, com expectativa de que cerca de 100 lojas estejam equipadas com o sistema até o fim de 2026.
Eficiência operacional e debates sobre transparência
Para o varejo, os principais benefícios estão na redução de custos operacionais, maior agilidade na atualização dos preços e melhor gerenciamento dos estoques.
Estimativas do setor indicam que a adoção da tecnologia pode elevar a margem de lucro entre 2% e 5%, principalmente pela redução de desperdícios e pela maior eficiência na formação dos preços.








