A Força Aérea Brasileira (FAB) interrompeu deliberadamente o voo do foguete sul-coreano Sebit nesta quarta-feira (19), apenas 35 segundos após a decolagem do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O veículo, desenvolvido pela empresa InnoSpace, apresentou um desvio em relação à trajetória planejada, levando as autoridades responsáveis pela segurança da operação a encerrar o voo.
O lançamento ocorreu às 16h30, no horário de Brasília. De acordo com a empresa sul-coreana, a decolagem aconteceu normalmente, mas uma alteração na trajetória foi identificada logo depois. A decisão de interromper a missão coube à FAB.
Após a destruição do veículo, os destroços atingiram uma área marítima de segurança previamente definida na costa brasileira. Não houve vítimas nem danos às instalações do centro de lançamento ou a outras estruturas.
Foguete foi destruído após sair do corredor previsto
Embora o episódio possa ser descrito como uma queda no mar, a sequência dos acontecimentos é mais específica: o veículo teve seu voo deliberadamente encerrado depois de deixar o corredor de trajetória considerado seguro.
O procedimento faz parte dos sistemas de segurança utilizados em operações de lançamento. Os responsáveis pelo controle da faixa de lançamento podem determinar a destruição ou interrupção de um foguete quando o veículo apresenta comportamento que ameaça sair da área previamente autorizada.

O objetivo é evitar que um foguete descontrolado percorra uma trajetória capaz de atingir regiões habitadas ou outras áreas fora do perímetro de segurança. No caso do Sebit, a existência de uma zona marítima destinada à queda de veículos permitiu que o encerramento ocorresse sobre o oceano, em uma área previamente isolada do tráfego marítimo.
Sistemas de terminação de voo são instalados justamente para situações desse tipo e permanecem preparados antes da decolagem. A interrupção, portanto, não representa necessariamente uma falha adicional da operação, mas uma medida prevista para limitar os riscos quando um veículo deixa a trajetória autorizada.
Até o momento, a InnoSpace não divulgou a causa técnica que provocou o desvio.
Sebit fazia o primeiro voo de teste
O Sebit realizou s primeira missão a partir do Centro de Lançamento de Alcântara. Diferentemente de um foguete destinado a colocar satélites em órbita, o veículo foi desenvolvido como uma plataforma suborbital.
Segundo a InnoSpace, o Sebit pode transportar cargas úteis de clientes a altitudes de até 100 quilômetros e realizar testes e verificações de tecnologias. O desenvolvimento está relacionado à estratégia da companhia de atuar no mercado de pequenos lançadores e atender empresas que precisam realizar experimentos e transportar cargas úteis ao espaço suborbital.
A companhia sul-coreana foi fundada em 2017 e tem sede em Sejong, na Coreia do Sul. A empresa desenvolve veículos lançadores para o mercado de pequenos satélites e utiliza sistemas de propulsão híbrida em seus foguetes.
A InnoSpace também possui uma subsidiária em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A unidade participa do gerenciamento das operações de lançamento realizadas a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.
Empresa já teve outro lançamento malsucedido no Brasil
O episódio desta quarta-feira não é a primeira falha de um foguete da InnoSpace em uma operação brasileira. Em dezembro, o HANBIT-Nano, também desenvolvido pela empresa sul-coreana, sofreu uma anomalia pouco depois da decolagem durante o primeiro lançamento comercial de um foguete a partir do Brasil.
Na ocasião, o veículo iniciou a trajetória vertical conforme planejado, mas apresentou um problema logo após deixar a plataforma. O foguete acabou colidindo com o solo e explodiu.
Apesar da destruição do veículo, ninguém ficou ferido. A área de lançamento e seus protocolos de segurança evitaram que a ocorrência provocasse vítimas.
Alcântara ganha importância para empresas privadas
O Centro de Lançamento de Alcântara é utilizado pela InnoSpace dentro de uma estratégia voltada ao mercado comercial de lançamentos. A localização do complexo, próximo à linha do Equador, é considerada uma vantagem para determinadas operações espaciais.
A InnoSpace vem trabalhando há anos para realizar campanhas de lançamento no Brasil. A companhia faz parte de um grupo de empresas sul-coreanas que tenta ampliar a participação privada do país no setor espacial.











