A fabricante gaúcha de sorvetes e picolés Sorvelândia, nome comercial da Produtos Alimentícios Macorteza Ltda., recorreu à Justiça para tentar reorganizar sua situação financeira e preservar uma operação construída ao longo de 56 anos. A empresa protocolou um pedido de recuperação judicial na Vara Regional Empresarial de Caxias do Sul (RS), declarando um passivo projetado de aproximadamente R$ 80 milhões em obrigações de diferentes naturezas.
Apesar do valor total das dívidas, os créditos diretamente submetidos ao processo de recuperação judicial somam R$ 13,4 milhões. A medida adotada pela companhia não representa o encerramento das atividades. O objetivo é justamente criar condições para negociar com credores, reorganizar os compromissos financeiros e impedir que cobranças individuais levem à paralisação da fábrica.
Antes do pedido principal, a Sorvelândia já havia obtido uma tutela cautelar que suspendeu cobranças e bloqueios por 30 dias. Com a proteção judicial temporária, a empresa ganhou espaço para conduzir as negociações sem enfrentar imediatamente medidas como penhoras que poderiam comprometer o funcionamento do negócio.

Dívida submetida à recuperação é de R$ 13,4 milhões
De acordo com a documentação apresentada à Justiça, a parcela do passivo sujeita à recuperação judicial está distribuída entre diferentes grupos de credores. A maior parte é formada por créditos quirografários, que chegam a aproximadamente R$ 10,99 milhões.
Também fazem parte da relação cerca de R$ 770,2 mil em créditos trabalhistas e aproximadamente R$ 1,16 milhão em débitos relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte. A diferença entre esses valores e o passivo de R$ 80 milhões decorre justamente do fato de que as projeções contábeis da companhia consideram obrigações de diferentes naturezas, nem todas necessariamente submetidas ao processo de recuperação.
Fundada em 1970, a Sorvelândia construiu sua trajetória no mercado gaúcho ao longo de mais de cinco décadas. A tentativa de recuperação judicial busca preservar essa estrutura e permitir que a empresa continue produzindo enquanto procura uma solução para o desequilíbrio financeiro.
Concorrência, custos e crédito pressionaram a empresa
Na documentação entregue à Justiça, a companhia atribui a crise a uma combinação de fatores acumulados ao longo dos últimos anos. Entre os problemas apontados estão o aumento da concorrência no setor de sorvetes, a redução das margens comerciais e a própria sazonalidade característica do consumo desses produtos.
A empresa também relaciona o agravamento das dificuldades aos impactos econômicos provocados pela pandemia e ao encarecimento do crédito. A elevação dos juros teria aumentado o custo das obrigações financeiras justamente em um cenário de margens mais pressionadas.
Além disso, a Sorvelândia aponta o aumento dos preços de matérias-primas, embalagens e energia elétrica entre os fatores que afetaram sua estrutura de custos. A logística refrigerada, indispensável para a produção e distribuição de sorvetes e picolés, também representa uma despesa relevante para a operação.











