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Fóssil encontrado no Brasil revela animal de 275 milhões de anos com mandíbula “esquisita” e dentes apontados para os lados

Por Pedro Silvini
26/08/2026
Em Geral
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fossil encontrado

Foto: (Reprodução/UFPI)

Uma descoberta paleontológica no Nordeste brasileiro revelou uma espécie de vertebrado que viveu há cerca de 275 milhões de anos e apresentava uma das mandíbulas mais incomuns já identificadas entre seus parentes. Batizado de Tanyka amnicola, o animal tinha a mandíbula torcida e dentes voltados para os lados, uma característica que provavelmente permitia triturar alimentos de maneira diferente da maioria dos primeiros tetrápodes.

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Os fósseis foram encontrados por pesquisadores em áreas dos municípios de Pastos Bons, Timon e Nazária, na região entre Maranhão e Piauí. Ao todo, foram identificadas nove mandíbulas fossilizadas, número suficiente para mostrar que a deformação observada nas peças não era resultado de danos ocorridos durante a fossilização.

A espécie foi formalmente descrita em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B. O nome Tanyka amnicola combina termos de origem indígena e latina: Tanyka significa “mandíbula” em guarani, enquanto amnicola pode ser traduzido como “aquele que vive junto ao rio”.

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Fonte; (Reprodução/UFPI)

Mandíbula intrigou pesquisadores durante anos

O primeiro fóssil encontrado apresentava uma curvatura tão incomum que os cientistas inicialmente chegaram a considerar a possibilidade de que a estrutura tivesse sofrido alguma deformação.

A dúvida persistiu até que outros exemplares começaram a aparecer durante as escavações. Com nove mandíbulas disponíveis, incluindo algumas muito bem preservadas, os pesquisadores perceberam que todas apresentavam o mesmo formato.

A conclusão foi que a característica não era resultado de danos no fóssil, mas uma particularidade anatômica do próprio animal.

O Tanyka pertencia a uma antiga linhagem de tetrápodes, grupo de vertebrados de quatro membros que inclui anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A estimativa é que o animal pudesse alcançar aproximadamente um metro de comprimento, embora outras estimativas apresentem dimensões próximas de três pés.

Dentes apontados para os lados tinham função incomum

A característica que mais chamou a atenção dos paleontólogos está justamente na boca. Em vez de os dentes da mandíbula inferior apontarem para cima, em direção ao céu da boca, como ocorre nos seres humanos, os dentes do Tanyka se projetavam lateralmente.

A parte interna da mandíbula também apresentava pequenas estruturas dentárias chamadas dentículos. Elas formavam uma superfície áspera que funcionaria de maneira semelhante a um ralador.

A hipótese dos pesquisadores é que estruturas semelhantes estavam presentes na mandíbula superior. Quando o animal movimentava a boca, os dentes das duas partes poderiam se atritar uns contra os outros, criando uma espécie de mecanismo de raspagem.

Esse sistema teria permitido ao animal triturar plantas e possivelmente pequenos invertebrados antes de engoli-los.

A descoberta é especialmente relevante porque muitos dos primeiros tetrápodes dessa linhagem são considerados predominantemente carnívoros. A anatomia do Tanyka, portanto, indica que alguns representantes do grupo desenvolveram estratégias alimentares diferentes das esperadas.

Um “fóssil vivo” de seu próprio tempo

O Tanyka amnicola pertence a uma linhagem conhecida como tetrápodes-tronco, formada por animais que surgiram antes da diversificação dos grupos que deram origem aos anfíbios, répteis, aves e mamíferos modernos.

Com o passar da evolução, essas linhagens mais antigas foram sendo substituídas por grupos considerados mais modernos. O Tanyka, porém, permaneceu existindo muito depois do surgimento de outros tetrápodes.

Por esse motivo, os pesquisadores comparam a espécie ao ornitorrinco: não porque os animais sejam próximos, mas porque ambos preservam características de linhagens evolutivas antigas que continuaram existindo mesmo após o surgimento de grupos mais recentes.

O pesquisador Jason Pardo, um dos autores do estudo, descreve o animal como um representante remanescente de uma linhagem antiga que ainda estava presente naquele período.

Animal provavelmente vivia perto de rios e lagos

As características das rochas encontradas na região indicam que o animal provavelmente habitava ambientes de água doce, como rios ou lagos.

Comparações com espécies relacionadas também ajudam os cientistas a imaginar sua aparência. A hipótese é que o Tanyka tivesse um aspecto semelhante ao de uma salamandra, porém com o focinho um pouco mais alongado.

Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que essa reconstrução é provisória. Sem encontrar um exemplar em que a mandíbula esteja conectada ao crânio ou a outras partes do esqueleto, não é possível determinar com precisão como era o restante do corpo.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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