Um palácio renascentista esquecido a poucos passos do Coliseu, em Roma, está sendo resgatado depois de décadas de abandono. A Villa Silvestri Rivaldi foi construída entre 1534 e 1547 por um camareiro do Papa Paulo III, sobre estruturas romanas antigas, e já abrigou cardeais, membros das famílias Colonna e Médici e até um futuro papa, Alessandro de’ Medici, que se tornaria Leão XI.
Depois, virou convento, fábrica têxtil, instituição de assistência e escola. No século XX, foi deixada de lado, e seu jardim acabou arrasado durante o governo de Benito Mussolini.
O complexo tem quase 50 mil pés quadrados de área interna e cerca de 27 mil pés quadrados de jardins e pátios. Apesar do tamanho, permaneceu ofuscado por atrações vizinhas como o Templo da Paz, os Fóruns Imperiais e o próprio Coliseu.
No fim do ano passado, o Ministério da Cultura da Itália anunciou um projeto de cerca de 40 milhões de dólares para restaurá-lo, incluindo a venda do imóvel do Estado para a região do Lácio por 30 milhões de dólares. A primeira fase, que já ocupa o local com andaimes, prevê reforço de pisos, reconstrução de tetos e limpeza dos afrescos.
Murais variados
As pinturas murais, que misturam temas pagãos e católicos, estão no centro do trabalho. Há cenas de batalhas, soldados, Cristo e anjos, algumas atribuídas a artistas da escola de Rafael. Técnicas como limpeza a laser estão sendo usadas.
Em certos pontos, os restauradores revelam imagens de deuses e deusas nus que haviam sido cobertas por freiras e líderes religiosos por serem consideradas ousadas. Paola Mezzadri, uma das responsáveis pelo projeto, contou que tentativas anteriores, nos anos 2000, esbarraram na falta de recursos da ordem religiosa que então era dona do prédio.
A história do local, porém, não é só antiga. No fim do século XX, o complexo abandonado serviu de moradia para músicos e seus convidados, entre eles o baterista de jazz Marvin “Bugalu” Smith.











