O preço do gás de cozinha no Brasil entrou em rota de pressão após a escalada do conflito no Oriente Médio, com reflexos diretos nas cotações internacionais do petróleo e do gás liquefeito de petróleo (GLP). A Petrobras já comercializa parte do produto com valores significativamente acima da tabela tradicional, o que pode levar a aumentos ao consumidor final.
Em leilão realizado nesta semana, a estatal ofertou cerca de 70 mil toneladas de GLP com ágio elevado. Em alguns casos, os preços chegaram a dobrar. Em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, por exemplo, o botijão de 13 kg, que tem preço de referência de R$ 33,37, foi negociado por R$ 72,77.
A alta está diretamente ligada à disparada das cotações no mercado global, intensificada pela guerra envolvendo países do Oriente Médio. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis, a paridade de importação do GLP no Brasil subiu cerca de 60% desde o início do conflito.
No porto de Santos, o custo estimado por botijão saltou de R$ 32,21 para R$ 51,40 em poucas semanas. Já em Suape, passou de R$ 31,56 para R$ 50,67. O movimento evidencia o impacto direto da crise internacional sobre o abastecimento nacional.
O Brasil depende de importações para cerca de 20% do consumo interno de gás de cozinha, o que torna o mercado mais vulnerável a oscilações externas.
Reajustes indiretos já começam a aparecer
Apesar de a Petrobras manter o preço oficial do GLP estável desde julho de 2024, a estratégia de vender parte do produto por meio de leilões com ágio tem permitido repassar gradualmente os aumentos ao mercado, sem um reajuste direto nas refinarias.
Além disso, empresas privadas já começam a reajustar seus preços. A refinaria operada pela Acelen, na Bahia, anunciou aumento de 16% no GLP, o equivalente a cerca de R$ 7 por botijão, o que pode antecipar uma tendência de alta em outras regiões.
Impacto ao consumidor ainda é limitado
Até o momento, o preço médio do botijão de 13 kg ao consumidor final segue relativamente estável, em torno de R$ 110, segundo dados da ANP. No entanto, especialistas apontam que a manutenção desse patamar pode não se sustentar diante da pressão crescente nos custos.
A combinação de alta internacional, dependência de importações e ajustes indiretos no mercado interno indica que o gás de cozinha pode ficar mais caro nas próximas semanas, reacendendo o debate sobre políticas de subsídio e controle de preços no país.




