Um gato doméstico da Flórida, nos Estados Unidos, se tornou um colaborador involuntário da ciência ao ajudar pesquisadores a identificar duas novas cepas virais em apenas dois anos. Pepper, um felino preto de 7 anos de idade, pertence ao virologista John Lednicky, professor da Universidade da Flórida, e tem o hábito de caçar pequenos roedores e trazê-los para casa.
Em uma das ocasiões, o animal entregou ao dono a carcaça de uma musaranha dos Everglades. Ao analisar o material no laboratório, a equipe de Lednicky descobriu que o roedor estava infectado por uma nova variedade de ortoreovírus, um tipo de vírus que circula entre mamíferos e aves e tem capacidade de saltar de uma espécie para outra.
Pepper colaborou outras vezes
Essa não foi a primeira contribuição científica de Pepper. Em 2024, outro roedor capturado pelo gato abrigava uma cepa inédita de jeilongvírus, da mesma família dos agentes que causam sarampo e caxumba. A linhagem identificada na época jamais havia sido registrada na América do Norte, e os cientistas avaliaram que ela poderia ter potencial para infectar seres humanos.
Descoberta mais recente
Sobre a descoberta mais recente, Lednicky afirmou que os ortoreovírus merecem atenção das autoridades sanitárias, especialmente pela capacidade de serem detectados e monitorados com rapidez. Embora a nova cepa encontrada não represente risco imediato para a população, a pesquisadora Emily DeRuyter, candidata a doutorado na universidade, lembrou que algumas variedades desse grupo viral já foram associadas a doenças respiratórias, neurológicas e gastrointestinais.
Apesar do contato frequente com animais silvestres, Pepper passa bem. A universidade informou que o gato não apresenta sinais de doença e deve continuar contribuindo com a coleta de espécimes para estudos futuros.











