Uma nova pesquisa apresentada nesta segunda-feira (31) mostrou que 32% dos usuários de internet do Brasil, cerca de 45 milhões, já sofreram tentativas de golpe envolvendo seus dados pessoais. O cenário é ainda mais preocupante porque 20% afirmaram ter sido efetivamente vítimas desse tipo de crime. Os números fazem parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil.
O levantamento foi produzido pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A pesquisa busca acompanhar a relação dos brasileiros com a privacidade, os riscos percebidos e as práticas adotadas diante do uso de informações pessoais no ambiente digital.
Realizado em dezembro de 2025, o estudo ouviu 2,5 mil pessoas em entrevistas online, utilizando a metodologia CAWI, com abrangência nacional.
Golpes deixam consequências além do prejuízo financeiro
Os impactos relatados pelas vítimas mostram que as consequências não se limitam à perda de dinheiro. Entre os entrevistados que sofreram golpes, 58% disseram ter enfrentado mal-estar ou estresse emocional. Outros 42% relataram dívidas contraídas por terceiros e a mesma proporção afirmou ter tido informações financeiras roubadas, como números de cartões de crédito ou senhas bancárias.
A pesquisa também identificou diferenças relacionadas ao dispositivo utilizado para acessar a internet. Usuários que navegam exclusivamente pelo celular apresentaram maior exposição a tentativas envolvendo sites ou aplicativos falsos: 80%, contra 68% entre aqueles que alternam entre smartphone e computador.
Ao se apresentarem como funcionários de bancos, empresas ou prestadores de serviços, os golpistas tentam obter novas informações sob o pretexto de confirmar cadastros ou liberar algum benefício. Em situações como o falso sequestro, eles podem inclusive conhecer nomes e informações de familiares.
Por trás dessas abordagens está a chamada engenharia social, estratégia baseada na manipulação psicológica. O criminoso procura criar uma sensação de confiança ou provocar medo e urgência para fazer com que a própria vítima entregue informações que normalmente protegeria.
Falso atendente pode roubar dados bancários
Outro método frequente começa com uma ligação de alguém que se passa por funcionário de uma instituição que a vítima realmente utiliza. O criminoso pode confirmar algumas informações verdadeiras, obtidas em redes sociais ou em vazamentos de dados, para transmitir credibilidade.
A partir daí, são oferecidos supostos benefícios, serviços ou atualizações cadastrais. O objetivo é levar a vítima a fornecer dados bancários, números de cartão e até senhas.
Em algumas situações, a abordagem também busca assumir o controle da conta do WhatsApp. Para isso, o falso atendente pode solicitar um código recebido por SMS. Ao fornecer a sequência, a vítima permite que o criminoso tente ativar sua conta em outro aparelho e posteriormente utilize o aplicativo para pedir dinheiro aos contatos.
Há ainda golpes destinados exclusivamente à coleta de dados pessoais. Informações como endereço, documentos, data de nascimento, nomes dos pais e outros dados cadastrais podem posteriormente ser utilizados para abrir contas, contratar empréstimos ou solicitar financiamentos em nome da vítima.
Como evitar cair nas armadilhas
Especialistas recomendam desconfiar de qualquer contato que envolva urgência, pressão ou solicitação de informações confidenciais. O nome da instituição que aparece no identificador de chamadas também não deve ser considerado uma garantia de autenticidade, já que criminosos podem falsificar essa identificação.
Uma alternativa é pedir que o interlocutor retorne a ligação posteriormente. Nesse intervalo, o consumidor pode procurar diretamente a instituição ou conversar com familiares para verificar a situação.
Também é fundamental nunca utilizar números fornecidos durante uma ligação suspeita. Para falar com bancos e empresas, a recomendação é procurar os canais oficiais disponibilizados pela própria instituição.
Senhas e códigos de confirmação jamais devem ser informados por telefone. Instituições financeiras não precisam dessas informações confidenciais para realizar atendimentos legítimos, e qualquer solicitação nesse sentido deve ser tratada como um forte sinal de alerta.











