O governo federal vai reduzir custos e simplificar a transferência de carros usados a partir de 2026, em uma nova rodada de medidas voltadas à desburocratização do trânsito.
A iniciativa, que será anunciada oficialmente nos próximos meses, acompanha o pacote já divulgado para baratear a CNH, que passou a permitir aulas práticas reduzidas, curso teórico gratuito e novo modelo de exame sem obrigatoriedade de autoescola.
Segundo informações do jornal O Globo, o objetivo é concentrar todo o processo — da vistoria ao pagamento entre comprador e vendedor — dentro do aplicativo da Carteira Digital de Trânsito (CDT), reduzindo taxas, filas e riscos de golpes.
O plano prevê o fim da necessidade de deslocamento ao Detran ou a cartórios para etapas como vistoria ou reconhecimento de firma no DUT. A CDT vai incorporar um sistema de autovistoria, inspirado no modelo já utilizado por seguradoras, no qual o próprio dono do veículo tira e envia fotos pelo aplicativo.
Com isso, além da redução de taxas estaduais, o governo pretende eliminar intermediários, agilizar o procedimento e minimizar fraudes comuns na compra e venda de carros usados.
Pagamento integrado deve evitar golpes
Outro ponto central é a possibilidade de realizar o pagamento diretamente dentro da plataforma, permitindo que o sistema valide a operação e registre a transferência integralmente no ambiente digital.
A Senatran afirma que o modelo é seguro e deve diminuir fraudes envolvendo falsos compradores e vendedores.
Durante o lançamento da nova CNH, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que o governo também quer reduzir os custos para motociclistas, especialmente trabalhadores de entrega.
“Uma coisa que a gente quer fazer é baratear o financiamento de uma moto para que os entregadores tenham o direito de ter uma moto, de preferência elétrica”, afirmou Lula. Segundo ele, o estudo envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin e a Casa Civil. “Esse é o nosso próximo compromisso.”
CNH mais barata já está em vigor
As mudanças na habilitação, aprovadas pelo Contran, fazem parte do esforço para reduzir custos — que podem chegar a R$ 5 mil — e atrair os 30 milhões de brasileiros que têm idade para obter a CNH, mas não iniciaram o processo.
O que mudou:
- Fim da obrigatoriedade de autoescola;
- Carga mínima prática caiu de 20 para 2 horas;
- Curso teórico gratuito e online;
- Reteste gratuito para quem reprovar na primeira prova;
- Fim do prazo de 12 meses para concluir o processo.
O secretário nacional de Trânsito estima que mais de 20 milhões de brasileiros dirigem hoje sem habilitação, quadro que o governo pretende reduzir com processos mais simples e baratos.




