Um atropelamento sem resolução judicial na capital italiana desencadeou um dos casos de amnésia mais severos registrados recentemente. O condutor que atingiu Luciano D’Adamo em 2019 fugiu sem prestar socorro, deixando a vítima em estado grave.
Quando finalmente emergiu do coma no hospital, o homem de 68 anos demonstrou incapacidade de reconhecer a própria realidade, convicto de que vivia em 1980 e mantinha apenas 24 anos de idade.
A lacuna de quase 40 anos na memória transformou o cotidiano do italiano em uma rotina de surpresas e frustrações. Ao se encarar no espelho, a imagem de um senhor grisalho causou pavor imediato.
A presença de sua companheira também gerou estranheza, pois em suas lembranças ela ainda era uma jovem de 19 anos com quem planejava se casar. O impacto aumentou ao tomar conhecimento de que possuía um filho com mais de 30 anos e netos, papéis familiares para os quais não se sentia preparado.
Reintrodução à sociedade
A reintrodução à sociedade revelou barreiras do avanço tecnológico e perdas pessoais não assimiladas. D’Adamo tentou entrar em contato com a mãe, sendo informado em seguida sobre o falecimento dela, fato do qual não tinha registro mental.
Ferramentas cotidianas da atualidade, como telefones celulares e sistemas de navegação por satélite nos automóveis, provocaram forte espanto. Relatos apontam que a vítima sequer se lembrava de viagens marcantes de avião feitas ao lado da esposa, como um trajeto para Paris.
Atualmente, o italiano tenta reconstruir a rotina trabalhando em uma instituição de ensino. O motorista responsável pelo atropelamento em 2019 permanece sem identificação, impedindo que a vítima receba reparações financeiras pelo dano sofrido.








