Um homem que procurava componentes para automóveis encontrou, em um ferro-velho de Hrubieszów, na Polônia, um pedaço de metal coberto de terra e com quase 1.800 anos, escondido entre a sucata. O achado não tinha relação com peças de carro: dentro dele havia ossos cremados e restos que arqueólogos ligam a um guerreiro do povo vândalo.
O item é a parte central de um escudo de guerra, conhecida como umbo, que protegia a mão de quem o carregava em combate.
Um objeto de guerra virado urna
O umbo era um reforço de metal fixado no centro do escudo e sustentava a estrutura de madeira e couro ao redor. A madeira e o couro se desfizeram com o tempo, e restou apenas o ferro, que resistiu aos séculos.
Segundo o Museu Padre Stanisław Staszic, de Hrubieszów, a superfície do objeto mostra sinais de que foi exposta a altas temperaturas. Essa marca, combinada com os ossos queimados encontrados dentro do umbo, indica que a peça guardava restos de uma cremação típica da comunidade vândala.
Ligação com os vândalos e o Império Romano
Os vândalos eram um povo germânico que vivia na região da Polônia naquele período. O grupo migrou para o sul depois das invasões germânicas contra o Império Romano. Em 429, chegou ao norte da África, muito tempo depois de o escudo ter sido enterrado.
Escudos de legionários romanos também tinham um reforço central parecido, mas os romanos nunca avançaram até essa área da Europa. O formato pontudo do umbo aponta para uma origem vândala do século 2, distinta do modelo usado pelas tropas romanas.
O homem reconheceu de imediato que havia encontrado algo antigo e enviou uma fotografia ao museu local. Especialistas confirmaram a origem provável da peça, e os ossos cremados foram identificados depois, durante o exame de um bloco de terra seca preso ao interior do umbo.
A equipe do museu lamentou que o restante do túmulo original tenha se perdido com o passar dos séculos. Outros itens que poderiam ter acompanhado o guerreiro — como espada, lança, fivela de cinto ou fecho de capa — nunca chegaram a ser recuperados.











