Uma cena emocionante marcou o último dia 9 de junho na Universidade de Fortaleza (Unifor): a defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estudante de Design Marivan Ferraro, de 77 anos, contou com a presença especial de sua mãe, dona Maria Augusta, de 98 anos, na bancada de convidados, e participação direta na criação do projeto que garantiu nota máxima à aluna.
O trabalho apresentado foi um livro infantil em tecido bordado, inspirado na história bíblica da Arca de Noé, desenvolvido em parceria entre mãe e filha. As duas passaram dias desenhando, pesquisando e bordando juntas, transformando o TCC em uma construção afetiva e manual que arrancou emoção do público presente.
“Minha mãe foi a primeira a pensar na obra”, relatou Marivan, destacando o papel fundamental de dona Maria Augusta na concepção do projeto. Durante a apresentação, a estudante ainda fez uma homenagem especial, entregando flores produzidas por ela mesma à mãe, em um gesto que emocionou os presentes.
A trajetória de Marivan também chama atenção pela retomada tardia da vida acadêmica. Já aposentada desde 2009, após carreira como professora de Língua Portuguesa na rede pública do Ceará, ela decidiu voltar a estudar após mais de 30 anos longe de vestibulares.
O interesse pelo Design surgiu em 2022, quando acompanhava uma amiga em visita à universidade. Encantada com o curso, resolveu prestar o vestibular novamente e foi aprovada com 980 pontos. Ao comunicar a decisão à família, ouviu brincadeiras sobre estar “sem juízo”, mas respondeu com firmeza: “Agora é que eu estou voltando a ele”.

Idosos avançam no ensino superior e desafiam estigmas no Brasil
O caso de Marivan reflete uma tendência crescente no país: a maior presença de idosos nas universidades. Segundo o Mapa do Ensino Superior no Brasil, divulgado pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior (Semesp) em 2025, pessoas com 60 anos ou mais ainda representam uma pequena parcela do total de estudantes, 0,4% nas instituições presenciais e 0,8% no ensino a distância (EAD) nas instituições privadas.
Apesar disso, essa faixa etária foi a única a registrar crescimento nas matrículas presenciais entre 2013 e 2023, com alta de 22%, superando todas as outras idades.
A tendência está associada ao aumento da longevidade e à mudança no papel social da terceira idade. De acordo com o IBGE, pessoas com 60 anos ou mais já representam cerca de 15% da população brasileira, o que impulsiona a busca por atividades que mantenham a vida ativa, física, intelectual e socialmente.
Outro estudo, da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, apontou ainda que o acesso de idosos à internet cresceu 97% em 2021, impulsionado principalmente pela procura por cursos online e conteúdos educacionais.




