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Influenciador que pediu para que pobres não votem deve ser obrigado a pagar indenização de R$ 300 mil

Por Pedro Silvini
30/06/2026
Em Geral
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estátua da justiça planalto brasil

Foto: (Reprodução/Agência Brasil)

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação civil pública contra o influenciador e treinador financeiro Leonardo Marcondes por publicações consideradas discriminatórias contra pessoas em situação de pobreza. Na ação, a Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital solicita que a Justiça determine o pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, além da remoção de seu perfil no Instagram, que reúne mais de 1,4 milhão de seguidores.

O processo tem como base um vídeo publicado em 26 de dezembro de 2025, no qual Marcondes questiona o direito ao voto de pessoas de baixa renda. Entre as declarações, o influenciador afirmou que “pobres não deveriam votar” e defendeu que as decisões políticas deveriam ficar concentradas nas mãos dos mais ricos.

Segundo o Ministério Público, as falas extrapolam o direito à liberdade de expressão e configuram discurso discriminatório ao associar pobreza à incapacidade de exercer direitos políticos garantidos pela Constituição.

MP aponta aporofobia e pede retirada do perfil

Na ação, o promotor Ricardo Manuel Castro sustenta que as declarações caracterizam aporofobia, termo utilizado para definir a discriminação e a hostilidade contra pessoas em situação de pobreza.

De acordo com o MP-SP, o conteúdo reforça estereótipos ao relacionar a condição econômica à irresponsabilidade e à incapacidade de participar da vida democrática do país.

Além da condenação ao pagamento de R$ 300 mil, valor que, se determinado pela Justiça, será destinado ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos, a Promotoria pede a remoção do vídeo e de todo o perfil do influenciador no Instagram. A Meta, empresa responsável pela plataforma, também foi incluída na ação.

O Ministério Público requer ainda que os dados da conta sejam preservados para produção de provas durante o processo.

Justiça pode impor novas restrições

Entre os pedidos apresentados pelo MP-SP está também a proibição de que Leonardo Marcondes publique novos conteúdos considerados aporofóbicos nas redes sociais.

A Promotoria solicita ainda que, caso seja condenado, o influenciador participe de um curso sobre inclusão social com carga horária mínima de 30 horas, abordando especificamente o combate à discriminação contra pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. O prazo para a conclusão da formação seria de até um ano.

Nos autos, o Ministério Público argumenta que o direito ao voto representa um dos pilares da cidadania e do sufrágio universal, sendo incompatível com qualquer tentativa de restringir a participação democrática com base na condição econômica. Para o órgão, manifestações que promovam a estigmatização de grupos vulneráveis não são protegidas pela liberdade de expressão quando atentam contra os princípios da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do regime democrático.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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