A aposentadoria paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) segue como a principal expectativa de renda para a maioria dos brasileiros na terceira idade. Uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra que 60% das pessoas que ainda não se aposentaram acreditam que viverão do benefício da Previdência Social, o maior percentual registrado desde o início do levantamento.
O resultado reforça a importância do sistema previdenciário para milhões de trabalhadores, mas também acende um alerta sobre a necessidade de planejamento financeiro diante das mudanças demográficas e das regras mais rígidas para obtenção da aposentadoria.
Segundo a pesquisa “Raio X do Investidor Brasileiro”, da Anbima, o percentual de pessoas que esperam ter o INSS como principal fonte de renda na aposentadoria aumentou três pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Enquanto isso, apenas 15% afirmam que pretendem continuar trabalhando para complementar a renda. Outros 13% planejam viver de aplicações financeiras, 5% contam com a previdência privada e 11% dizem ainda não saber como irão se sustentar quando deixarem o mercado de trabalho.
O levantamento evidencia que a previdência complementar, criada justamente para complementar a renda do INSS, ainda é pouco utilizada pela população brasileira.

Envelhecimento da população amplia desafios
A crescente expectativa em torno da Previdência ocorre em um momento de profundas mudanças demográficas no país.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, pela primeira vez, o Brasil possui mais pessoas com mais de 60 anos do que jovens entre 15 e 24 anos. Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu para 1,57 filho por mulher, abaixo do nível considerado necessário para a reposição populacional.
Além disso, o número de brasileiros com 65 anos ou mais aumentou de cerca de 14 milhões para mais de 22 milhões em pouco mais de uma década. Estimativas recentes apontam que o país já reúne aproximadamente 34 milhões de idosos.
O envelhecimento é mais intenso nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os estados da Região Norte ainda apresentam uma população relativamente mais jovem.
Informalidade pressiona a Previdência
Outro fator que preocupa especialistas é a elevada informalidade no mercado de trabalho.
Atualmente, cerca de 39 milhões de brasileiros trabalham sem carteira assinada ou sem contribuir regularmente para o INSS, reduzindo a arrecadação destinada ao financiamento da Previdência Social.
Esse cenário ocorre em paralelo ao crescimento do número de aposentados e pensionistas, aumentando a pressão sobre as contas públicas. O déficit previdenciário já supera R$ 320 bilhões, reflexo do aumento do número de beneficiários em comparação ao total de contribuintes formais.
Os impactos também aparecem entre os idosos. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, 24,4% das pessoas com mais de 60 anos continuam trabalhando, o maior percentual da série histórica.
Maioria recebe apenas um salário mínimo
Dados do próprio INSS mostram que, em junho deste ano, foram pagos 42,1 milhões de benefícios em todo o país.
Desse total, 29,1 milhões de segurados, o equivalente a cerca de 70%, recebem apenas um salário mínimo. Na outra ponta, apenas 13.642 beneficiários recebem o teto previdenciário, atualmente fixado em R$ 8.475,55, grupo que representa menos de 0,04% do total.
O valor médio das aposentadorias e demais benefícios pagos pelo instituto é de R$ 2.124,72.
Diferenças entre as faixas de renda
Especialistas destacam que a dependência do INSS varia conforme a realidade econômica de cada família.
Para trabalhadores das classes C, D e E, cuja renda durante a vida profissional costuma ser mais próxima dos valores pagos pela Previdência, depender apenas do benefício pode representar uma expectativa compatível com a realidade.
Já para pessoas de maior renda, a situação é diferente. Como existe um teto para os pagamentos do INSS, a aposentadoria pública tende a representar uma redução significativa no padrão de vida, tornando a previdência complementar e outras formas de investimento instrumentos importantes para complementar a renda no futuro.
Nesse cenário, novas reformas poderão ocorrer, com possíveis mudanças nos critérios de concessão dos benefícios, no tempo de contribuição, na idade mínima e nas regras de cálculo das aposentadorias.











