Usuários do Instagram foram surpreendidos nesta semana pelo surgimento de uma nova ferramenta de geolocalização em tempo real dentro do aplicativo. O recurso, conhecido como “Mapa de Amigos”, apareceu na quarta-feira (10) na área de mensagens diretas da rede social, mas foi retirado do ar já no dia seguinte após uma onda de críticas relacionadas à privacidade e à segurança dos usuários.
Em resposta à repercussão, a Meta, empresa responsável pelo Instagram, informou que a funcionalidade foi disponibilizada por acidente no Brasil e que não deveria ter sido liberada para usuários do país neste momento.
A ferramenta havia sido anunciada pela plataforma em agosto de 2025 e permite que usuários compartilhem sua localização em um mapa interativo dentro da rede social.
O aparecimento inesperado da novidade gerou preocupação entre especialistas e usuários, principalmente por envolver o compartilhamento de localização em tempo real.
Segundo a proposta original do Instagram, o recurso foi criado para facilitar a interação entre amigos, permitindo visualizar pessoas próximas e conteúdos produzidos em diferentes regiões. A empresa afirma que o compartilhamento de localização permanece desativado por padrão e só é ativado mediante autorização do próprio usuário.
Quando habilitada, a função permite escolher quem poderá visualizar a localização, incluindo seguidores mútuos, amigos próximos, contatos selecionados ou ninguém. O compartilhamento funciona enquanto o aplicativo estiver aberto no celular.
Mesmo com essas opções de controle, a ferramenta provocou dúvidas entre usuários, especialmente após relatos nas redes sociais indicando que era possível visualizar a localização de pessoas com quem não mantinham contato frequente.
Parlamentar pede suspensão da funcionalidade
A repercussão também chegou ao meio político. A deputada federal Erika Hilton informou ter acionado o Ministério Público Federal (MPF) solicitando a suspensão imediata da ferramenta.
Segundo a parlamentar, o recurso poderia representar riscos para mulheres, crianças, idosos e até mesmo para pessoas que convivem com usuários que optem por compartilhar a localização em tempo real.
A preocupação está relacionada principalmente a situações de perseguição, monitoramento indevido e exposição involuntária de dados pessoais.
Especialistas recomendam atenção às permissões
Profissionais da área de segurança digital alertam que a exposição de dados de localização pode facilitar ações de pessoas mal-intencionadas e aumentar riscos relacionados à privacidade.
Entre as principais recomendações está a revisão periódica das permissões concedidas aos aplicativos instalados nos smartphones, especialmente aquelas relacionadas à geolocalização.
O tema também reacendeu discussões sobre os limites do compartilhamento de informações pessoais nas redes sociais e os mecanismos de proteção oferecidos pelas plataformas digitais.
Após retirar o recurso do ar, a Meta informou que trabalha para corrigir a falha responsável pela disponibilização da ferramenta no Brasil. A empresa, porém, não divulgou um prazo para a conclusão do processo nem esclareceu quantos usuários tiveram acesso ao recurso durante o período em que esteve ativo.




